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Cândido Ferreira comemora amanhã 85 anos Imprimir E-mail
Por imprensa   
13 de abril de 2009

Amanhã, 14 de abril, o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira completa 85 anos de fundação com a alegria de não ter mais pacientes moradores em suas instalações.

Recentemente os últimos 26 moradores da instituição foram abrigados em Serviços Residenciais Terapêuticos (moradias extra-hospitalar) espalhados na região de Sousas e Joaquim Egídio.

Hoje a instituição gerencia 31 moradias com aproximadamente 140 usuários com idade entre 25 e 85 anos. São moradias espalhadas pela cidade de Campinas e cuidadas por equipes compostas por psicólogos, auxiliares e técnicos de enfermagem, monitores e auxiliares de higiene, além do gerente e das empregadas domésticas contratadas pelos usuários.

Aos 85 anos o Cândido Ferreira colhe os frutos de ter sido pioneira na implantação dessa experiência de moradias e também pelo reconhecimento como referência de tratamento no país, desde 1993 pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

Um pouco de história

O Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, localizado em Sousas, Campinas, foi inaugurado em 14 de abril de 1924, motivado por uma matéria do jornal “O Estado de São Paulo” (Estadão), na qual os jornalistas Leopoldo Amaral e José Vilagelin Junior denunciavam os maus tratos cometidos contra os portadores de transtorno mental, que naquela época ficavam presos no porão da cadeia pública de Campinas aguardando vaga  no Hospital do Juquerí.

“Para darmos uma pequena idéia do quão grande é a necessidade de se construir o Hospício, basta dizer que existem atualmente na Cadeia Pública 21 dementes e que nestes três últimos anos, lá faleceram 11 infelizes atacados das faculdades mentais.”

O trecho acima, extraído da matéria “Hospício de Dementes”, publicada em 1921, no jornal Comércio de Campinas, apresenta um breve relato sobre como eram “tratadas” as pessoas com transtornos mentais na época.

Essa e outras notícias provocaram a reação de muitos generosos campineiros, que pensaram em solucionar esse problema social. Em 14 de abril de 1924, com a inauguração do, então, Hospital de Dementes de Campinas, projeto idealizado por uma sociedade filantrópica fundada anos antes, em 1917, especificamente com este objetivo. O papel dos filantropos foi essencial para que o atendimento em saúde chegasse às pessoas com transtornos mentais de Campinas. Partiu deles a grande mobilização comunitária, liderada por dona Sylvia Ferreira de Barros – que ofereceu dois contos de réis para o início da campanha – e apoiada pelos dois jornalistas.

A cidade passou a se movimentar para a criação do hospital. Foram realizados eventos como quermesses e até um dérbi Ponte Preta e Guarani para arrecadar fundos, sem contar a publicação de um livro de receitas da própria dona Sylvia.

A sobrevivência da instituição nas primeiras décadas, o processo de construção do prédio, a compra do terreno, dos materiais e a mão-de-obra eram garantidos pela arrecadação de mensalidades dos sócios efetivos, pelos pagamentos de diárias dos pacientes pensionistas e também por doações.

No dia-a-dia da entidade, instalada em área rural e com um vasto campo, os usuários participavam da laborterapia, produzindo para o consumo da instituição carne, leite, ovos, cereais e hortaliças. Muitos usuários também se ocupavam de serviços como lavanderia, cozinha, jardinagem e manutenção predial.

 

Serviço de Saúde: cuidado humanizado

Desde então, muitas coisas aconteceram. A Constituição Federal, a Reforma Sanitarista, a criação do Sistema Único de Saúde, a Reforma Psiquiátrica e tantas outras mudanças políticas e sociais brasileiras.

Desde 1990, com a assinatura de um convênio de co-gestão com a Prefeitura de Municipal Campinas, a instituição tem colocado em prática uma transformação nos modos de tratar a “loucura”, abrindo mão do uso de métodos invasivos como a camisa-de-força, o eletrochoque, as punições, o uso indevido de medicamentos; deixando cair as grades e portões.

O projeto assistencial do serviço prevê a desospitalização, tratamentos centrados nas necessidades singulares de cada usuário e, acima de tudo, busca exercitar, facilitar e viabilizar a convivência entre os diferentes. Garantido a reinserção social na vida familiar e comunitária.

O Cândido Ferreira orienta-se pelo compromisso incondicional com os princípios do SUS, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Reforma Psiquiátrica.

A instituição conta com um Núcleo de Atenção à Crise, um Núcleo de Atenção à Dependência Química, quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps), um Núcleo Clínico, 13 Oficinas de Trabalho, três Centros de Convivência e o Cândido Escola, unidade voltada à formação em trabalho e consultoria.

Os usuários também realizam atividades relacionadas à Comunicação Comunitária, distribuídas em duas oficinas: de jornal impresso (C@ndura - Espaço Aberto para um Novo Pensamento) e de rádio (Ponto de Cultura Rádio Comunitária “Maluco Beleza”).

 
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