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Os CAPS e seus trabalhadores: no olho do furacão antimanicomial Imprimir E-mail
Por Emerson Elias Merhy   
07 de janeiro de 2004
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Os CAPS e seus trabalhadores: no olho do furacão antimanicomial
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Creio, que ter uma rede bem articulada entre serviços de saúde mental(CAPS), serviços próprios de urgência e emergência (como os SAMUs e PSs) eequipes locais de saúde, seja essencial para dar respostas razoáveis a um dosproblemas que mais somam, no imaginário social, a favor da lógica manicomial.Ou seja, enfrentar bem esta situação tem um duplo sentido: de um lado, é umadas chaves para gerar alívio produtivo nas equipes de CAPS; de um outro, aogerar alívio nos que convivem com loucos, em crise, diminui a pressão para asegregação e exclusão.

A melhor solução encontrada é aquela que se baseia na rede necessária,que dá conta efetiva dos casos de urgência/emergência, sem gerar exclusão esegregação; ao revés, gerando oportunidades de intervenções terapêuticas etrabalhos intersetoriais inclusivos. O melhor é a rede, possível no local ou naregião, que consiga impedir a manicomialização e, ao mesmo, não negue anecessidade de gerar alívios nos familiares (ou equivalentes) e nos cuidadores.

O que interessa, em última instância, é a oportunidade de operar novossentidos para a ressignificação das crises, tanto no desencadeamento deprojetos terapêuticos, quanto na construção de um conjunto de atividades, emrede, que tragam o usuário para ampliar suas redes de vinculação, aumentando aschances de produzir contratualização e responsabilização nas relações com os outros.

Apostar na construção de processos de trabalho que produzam cuidados paraos usuários e cuidados para os cuidadores é vital, neste percurso. Permitemvivificar o trabalho em saúde que aposta na construção da qualificação devidas.

Construira alegria e o alívio produtivo como dispositivos analisadores é um desafio paraaqueles coletivos sociais que operam no "olho do furacão" e se propõem comogeradores de anti-manicômios.

* Gostaria de deixar claro que este texto é um ensaio e é devedor deum trabalho coletivo com os profissionais do Cândido Ferreira, Campinas,durante o ano 2003, com quem pude vivenciar muitas situações instigantes, nãoconfortáveis, de como é dura a vida dos que apostam na mudança. Sou devedortambém de muitas de suas idéias, que, aqui, sistematizo e agrego novoselementos

§ Muitos dos termos que uso, como alívio, cuidar de cuidadores, sãodevedores de vários outros com quem venho trabalhando. No decorrer do textocito partes das fontes, outras ficaram tão minhas também que não as localizo,mas as reconheço como de muitos autores.

[1] Capozzolo, Angela

[2] Fortuna, Cinira

94,95,,


 
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