Cândido Escola
Teses
"Dizem que sou louco" | "Dizem que sou louco" |
|
|
| Por Ana Carla Pereira Domitti | |
| 15 de março de 2003 | |
|
Página 59 de 59
A: Deixa eu falar uma coisa, quando você falava de Franco Basaglia, concordo plenamente que o melhor tratamento é o trabalho. Que outras coisas podem ajudar nessa recuperação? E: Como assim? A: Por exemplo, uma pessoa adoece, tem suas crises, e você diz que uma das formas de recuperação é via trabalho... E: Primeiro o tratamento... A: De que jeito? E: Tratamento psicológico, como o CAPS dá, tratamento individual, projetos de marcenaria, teatro, expressão corporal, sala aberta, deixar à vontade, projetos como tem hoje, as oficinas. O J. sempre luta por uma Associação melhor, um clube melhor, o Clube do Basaglia. Por exemplo, tem paciente s que hoje está no CAPS, e que tem idéias maravilhosas. Tem um paciente, meu amigo, que teve idéia de fazer uma reunião geral. Eu não vou citar o nome dele aqui porque ele não vai querer. Tem pessoas que têm idéias maravilhosas. Por exemplo, o B., meu amigo que trabalha no Xerox... nós que trabalhamos no jornal, quando estávamos no CAPS. Não era jornal do CAPS, era boletim, folhetim. A: Interessante. Você está falando de um conjunto de coisas que ajudam a pessoa a se reorganizar. E: É que no CAPS não existe mais essas coisas. Naquela época tinha uma Assembléia, que é a Reunião Geral de hoje. Eu lembro que tinha paciente que era coordenador de ir pro Zoológico... A: Hoje em dia você tem participado de outras atividade além do Xerox? E: Não. Só do Xerox. Mas em algumas reuniões eu vou. Sempre fui uma pessoa aberta ao diálogo, apesar que tem coisas que eu não me meto. Por exemplo, teve uma estagiária que veio me convidar pra uma reunião e eu tinha que me preparar primeiro... A: É se preparar de que jeito? E: Psicologicamente. Por exemplo, tem que colocar alguns escritos no papelzinho, pra falar na reunião, porque ninguém é de ferro. (...) Tem um comunista, capitalista, que o nome dele é Fidel Castro, que tá tirando o país do buraco, e tá melhor que São Paulo. Isso é, Cuba tava atrás do Brasil e agora tá passando o Brasil. Tivemos coragem de emprestar dinheiro pro México, e não pra Cuba (...). É isso aí. A gente tem tantas idéias, não tô falando só de mim, tô falando de pessoas no Brasil e que mereceriam oportunidade de estarem lá em Brasília, em qualquer lugar, no governo estadual, prefeitura, ser vereador, deputado federal. Merecia porque tem uma cabecinha boa, e aí, colocam uns "banana", lá. A: Se você quiser deixar alguma mensagem... ou comentar mais alguma coisa. E: A mensagem que eu deixo é pro seu professor, quero pedir desculpa pela interpretação mal feita das coisas e que se tiver outras entrevistas... eu estou apoiando esse trabalho, essas entrevistas. Tudo pelo bem da Ciência. Quem sabe um dia esse Brasil melhora, né. Começando pela Saúde. A: Obrigada, E. SUMÁRIOINTRODUÇÃO 5.1. 1ª FASE DAS ENTREVISTAS (LUANA, PEDRO, TERESA, HÉLIO, EDGARD) [1] Entende-se aqui a realidade da vida cotidiana, que entre outras
realidades apresenta-se como a "realidade por excelência". "Apreendo
a realidade da vida diária como uma realidade ordenada. Seus fenômenos
acham-se previamente dispostos em padrões que parecem ser independentes
da apreensão que deles tenho e que se impõem à minha
apreensão". BERGER,P. & LUCKMANN,T. A construção
social da realidade. Ed. Vozes, Petrópolis, 1973. pág.38. 72,73,, |
|
| Última Atualização ( 23 de junho de 2008 ) |
| Menu Principal |
|---|
| Busca interna |
|---|



