Desculpe, mas este site não é compatível com a versão do navegador que você está usando.

Por favor, atualize seu navegador.

Logo Firefox
Início arrow Cândido Escola arrow Teses arrow "Dizem que sou louco"
"Dizem que sou louco" Imprimir E-mail
Por Ana Carla Pereira Domitti   
15 de março de 2003
Índice de Artigos
"Dizem que sou louco"
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6
Página 7
Página 8
Página 9
Página 10
Página 11
Página 12
Página 13
Página 14
Página 15
Página 16
Página 17
Página 18
Página 19
Página 20
Página 21
Página 22
Página 23
Página 24
Página 25
Página 26
Página 27
Página 28
Página 29
Página 30
Página 31
Página 32
Página 33
Página 34
Página 35
Página 36
Página 37
Página 38
Página 39
Página 40
Página 41
Página 42
Página 43
Página 44
Página 45
Página 46
Página 47
Página 48
Página 49
Página 50
Página 51
Página 52
Página 53
Página 54
Página 55
Página 56
Página 57
Página 58
Página 59

E é comum não no sentido de ser igual, idêntico, mas de serem processos resultantes de uma mesma rede complexa de relações dentro da sociedade em que os sujeitos vivem. Portanto, as experiências dos sujeitos devem ser explicadas a partir das condições em que surgem. Diferentes condições, portanto, diferentes formas de se relacionar com elas, daí a constituição de diferentes sujeitos.

A afirmativa acima pode ser explicada em termos da própria socialização [2] em que a criança interioriza o mundo dos pais como verdadeiro, único, "o"mundo, e a partir de outras experiências no curso de seu desenvolvimento vai (re)descobrindo esse mundo. Forma-se, então, um duplo processo de interiorização-exteriorização, em que, à medida que interioriza o mundo exterior, exterioriza-se enquanto sujeito; isto significa constituir nesse processo, uma subjetividade própria formada a partir de sua relação com as coisas da vida, do mundo. Este processo de socialização iniciado na infância, chamado por Berger e Luckmann de socialização primária e posteriormente de socialização secundária [3] é constituinte do sujeito e da própria sociedade, uma vez que ao se exteriorizar, o sujeito, ao mesmo tempo que conserva, transforma a ordem social. Isto significa participar da dialética da sociedade, composta de três momentos: interiorização, objetivação e exteriorização. [4]

O que queremos afirmar é o fato de as diferenças individuais, as idiossincrasias, serem formadas nessa relação sujeito-mundo. Para Berger e Luckmann, isto é possível a partir de dois conceitos, emprestados de Mead o outro significativoe outro generalizado. Outro significativo é aquele que se encarrega da socialização do sujeito, e ao lhe apresentar o mundo, funciona como um mediador entre sujeito-mundo. Decorre daí que o mundo será apresentado de acordo com a localização na estrutura social do outro significativo bem como de suas próprias idiossincrasias individuais. Depende, em outras palavras, de seu olhar sobre o mundo, de suas crenças e seus valores, a conseqüente socialização. A socialização primária ocorre em circunstâncias carregadas de emoção.

"A criança identifica-se com os outros significativos por uma multiplicidade de modos emocionais. Quaisquer que sejam, a interiorização só se realiza quando há identificação. A criança absorve os papéis e as atitudes dos outros significativos, isto é, interioriza-os, tornando-os seus. Por meio desta identificação com os outros significativos a criança torna-se capaz de se identificar a si mesma, de adquirir uma identidadecoerente e plausível. (...) Este processo não é unilateral, nem mecanicista. Implica uma dialética entre a identificação pelos outros e a auto-identificação, entre a identidade objetivamente atribuída e a identidade subjetivamente apropriada".(Berger &Luckmann, 1973:176/177).

A criança, desde pequena passa a se assumir com uma identidade própria a partir do reconhecimento dos outros sobre ela. Neste raciocínio, podemos pensar na questão do louco que se identifica enquanto tal, a partir do momento em que essa identidade lhe é atribuída.

A incorporação de papéis, crenças, valores do outro significativo concreto é chamado de outro generalizado . Significa dizer que o sujeito, tendo incorporado esses aspectos, identifica-se não somente com os outros concretos, mas com uma generalidade de outros, isto é com uma sociedade.

"O indivíduo tem agora não somente uma identidadeem face deste ou daquele outro significativo, mas uma identidade em geral, subjetivamente apreendida como constante, não importando que outros, significativos ou não, sejam encontrados".(Berger &Luckmann, 1973:178/179).

Isto vale dizer também, que se o sujeito conhece as regras, normas e condutas de determinada sociedade, e passa a ignorá-las, sua identidade consequentemente sofrerá alterações. No mínimo, passará a ser identificado como marginal, como revolucionário, ou simplesmente louco. Alguém que fugiu da realidade da vida cotidiana, e batalha em cima da criação de um novo universo, não compartilhado com todos os demais.

Algumas alternativas foram criadas pela sociedade para este sujeito que se diferencia dos demais. Entre ela estão as instituições psiquiátricas, e aqui sem entrar no mérito de cada uma, isto é se são constituídas aproximando-se mais de uma forma que corrobora o isolamento do sujeito do meio social, ou se contribuem para sua (re)inserção social, apresentando um leque maior de meios de cuidados ao sujeito que enlouquece.

Falar deste sujeito é indiretamente voltar-se para as instituições que fizeram ou fazem parte de sua vida. Apontaria, num primeiro momento, dois níveis de instituição, as abertas e as fechadas (ou totais, segundo Goffman).

"Seu fechamento ou seu caráter total é simbolizado pela barreira à relação social com o mundo externo e por proibições à saída que muitas vezes estão incluídas no esquema físico - por exemplo, portas fechadas, paredes altas, arames farpados, fossos, água, florestas ou pântanos".(Goffman, 1992:16).

Estas confirmariam ainda mais o isolamento do sujeito em relação ao mundo social, enclausurando-o e a sua loucura , ao contrário de instituições de caráter aberto, aquelas em que ele pode transitar livremente entre seu espaço interno e externo.

Este trânsito permite um constante contato com as condições sociais, até mesmo com as que possivelmente contribuíram para o irromper de sua loucura ; permite também a modificação dessas condições e a criação de outras mais favoráveis para a constituição de um sujeito autônomo. Este fato se diferencia de uma instituição total, onde a degradação da identidade se inicia a partir do ingresso do sujeito na mesma. Segundo Goffman (1992:24):

72,73,,


Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
Últimas Notícias
Entrar / Sair





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
Fique ligado!

Assine nossos canais:

Leitores
SGD POWERED
X
<
>