Desculpe, mas este site não é compatível com a versão do navegador que você está usando.

Por favor, atualize seu navegador.

Logo Firefox
Convite Formatura
Início arrow Cândido Escola arrow Teses arrow "Dizem que sou louco"
"Dizem que sou louco" Imprimir E-mail
Por Ana Carla Pereira Domitti   
15 de março de 2003
Índice de Artigos
"Dizem que sou louco"
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6
Página 7
Página 8
Página 9
Página 10
Página 11
Página 12
Página 13
Página 14
Página 15
Página 16
Página 17
Página 18
Página 19
Página 20
Página 21
Página 22
Página 23
Página 24
Página 25
Página 26
Página 27
Página 28
Página 29
Página 30
Página 31
Página 32
Página 33
Página 34
Página 35
Página 36
Página 37
Página 38
Página 39
Página 40
Página 41
Página 42
Página 43
Página 44
Página 45
Página 46
Página 47
Página 48
Página 49
Página 50
Página 51
Página 52
Página 53
Página 54
Página 55
Página 56
Página 57
Página 58
Página 59

Buscando compreender a Loucura Como Forma Singular de Expressão da Existência Humana

Dissertação de Mestrado em Psicologia Social

Resumo

O presente estudo toma como base a Psicologia Social em uma de suas abordagens cuja concepção é do homem se constituindo atarvés das relações sociais. O enfoque recai sobre o sujeito que enlouquece, entendendo que para se ter uma compreesão desse processo de enlouquecimento faz-se necessário contextualizar o sujeito em sua história, em sua cultura, em seu cotidiano, enfim, em suas relações sociais.

Como o objetivo primeiro se dirige a dar voz ao louco para que ele possa contar sua história, sua vida, suas dores, partimos de cinco sujeitos que narram suas histórias-de-vida. Com essa aproximação da principal personagem dentro do mundo da loucura - o louco - criar possibilidades para novas formas de pensar e agir em relação a loucura. Desta forma, minimizando aspectos negativos em torno da loucura e daquele que enlouquece, encaminha-se para um resgate do sujeito e sua capacidade de se tornar autônomo, alguém com desejos e possibilidades de escolhas.

Apresentamos a questão da Identidade para a compreensão da loucura. A identidade traduzida aqui pelo movimento das várias personagens que o sujeito assume ao longo de sua vida, constituída em determinados contextos e determinadas relações. Contrária, portanto, a idéia de uma identidade cristalizada do sujeito - a de louco, sem possibilidades de mudanças. Há, dentro dessa perspectiva, um espaço para olhar o louco em seu movimento contínuo de (re)organização em relação à vida.

O cenário é composto pelo CAPS - Centro de Atenção Psicossocial Prof. Luis da Rocha Cerqueira - onde os sujeitos têm a possibilidade de lidarem com suas personagens de uma forma não cristalizada, recebendo tratamento, principalmente, no sentido de serem tratados com carinho, atenção e respeito.

INTRODUÇÃO

Gostaria de contar rapidamente minha trajetória em relação ao desenvolvimento deste trabalho, para melhor situar o leitor.

Após concluir a graduação em Psicologia, ingressei no curso de Pós-Graduação em Psicologia Social , enfoque este muito presente em meus estudos graduados. Conjuntamente a este fato, foi se consolidando um interesse bastante forte em relação à área da Saúde Mental. Na verdade, quanto mais foi possível se dar o envolvimento a nível prático e teórico com o tema da Saúde, mais pude ir percebendo que a busca era por algo diferenciado do que comumente existe em relação à visão que se tem do "doente", do louco e consequentemente do tratamento, dos cuidados a este dispensados.

O CAPS - Centro de Atenção Psicossocial Prof. Luís da Rocha Cerqueira, em São Paulo, à medida que considera aquele que enlouquece como sujeito, respeitando sua singularidade , sua história, sua cultura, sua vida cotidiana, e não o tratando apenas como um objetoou um conjunto de sintomas surgiu-me como alternativa para desenvolver os estudos que desejava fazer. Houve um primeiro contato com a instituição a fim de poder compreender a sua dinâmica e num segundo momento, uma possibilidade de realizar um curso de Aprimoramento Profissional, conforme será detalhado posteriormente. Durante esse contato com a instituição e com as pessoas que lá recebem tratamento algumas questões foram se delineando e compondo este estudo.

Uma vez que a instituição escolhida tinha esse perfil em relação ao trato com as pessoas que a ela estão vinculadas, dirigindo as intervenções no sentido de aumentar o coeficiente de autonomia , de escolha de cada uma delas, instigava-me a questão de conhecer um pouco mais de perto aquele a quem chamamos de louco; o que pensa sobre seu próprio processo de enlouquecimento , sobre suas crises, dores, dificuldades, o que pensa sobre a própria instituição CAPS , enfim, resgatar através de sua história os projetos de vida que eventualmente tenham ficado adormecidos. Aqui cabe adiantar o que insistentemente, com sucesso ou não, foi feito em todo trabalho: restituir a fala ao louco, isto é, dar voz a ele, com a intenção menos de desmontar um saber da Psiquiatria tradicional, e mais de considerar um outro tipo de saber, resultante das novas formas de tratamento, principalmente pela escuta atenta aos que sofrem com estes transtornos mentais.

Uma questão que ainda deve ser mencionada é em relação à forma como deve ser nomeado o sujeito que enlouquece. Durante todo o trabalho, foi travada uma briga com várias denominações: doente, doente mental , paciente (mesmo entendendo que este termo pode ser usado no sentido de alguém que espera e participa pacientemente de seu processo de reorganização pessoal, e não no sentido de passividade), psicótico (necessitando uma melhor definição), sofrimento psíquico, por entender que dificilmente davam ênfase ao sujeito que enlouquece. Acabei priorizando alguns termos que mais se afastam, em meu modo de entender, da conotação de doença, conjunto de sintomas e se aproximam de algo como formas de expressão da singularidade de cada um. De qualquer forma a ênfase merece recair no sujeito e não na doença.

Ao longo do trabalho, esperamos que a reflexão sobre algumas questões tenha avançado e novos questionamentos possam ser suscitados. A fim de poder entender como o trabalho foi construído descrevemos a estrutura do trabalho, que respeita a seguinte ordem: as Premissas Teóricas, em que nos utilizamos de um autor - George Herbert Mead - representante de uma das mais importantes correntes sociológicas - o Interacionismo Simbólico, em que procuramos articular seu pensamento à própria concepção de homem de uma das várias correntes da Psicologia Social . Um outro autor utilizado como sustentação de todo o trabalho é Antonio da Costa Ciampa, em sua concepção de Identidade como metamorfose . Em seguida, apresentamos o capítulo referente à Delimitação do Problema, em que definimos a população a ser trabalhada bem como uma contextualização do CAPS , o qual aparece melhor detalhado em um capítulo especialmente destinado a ele.

72,73,,


Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
Últimas Notícias
Entrar / Sair





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
Fique ligado!

Assine nossos canais:

Leitores
SGD POWERED