Desculpe, mas este site não é compatível com a versão do navegador que você está usando.

Por favor, atualize seu navegador.

Logo Firefox
Início arrow Cândido Escola arrow Teses arrow Uma experiência sobre o papel da Comunicação para a Reabilitação Psicossocial
Uma experiência sobre o papel da Comunicação para a Reabilitação Psicossocial Imprimir E-mail
Por Régis Moreira   
01 de janeiro de 2001
Índice de Artigos
Uma experiência sobre o papel da Comunicação para a Reabilitação Psicossocial
Página 2
Página 3
Página 4

A diferença entre a criação em Artes Plásticas e a Fotografia, conforme relata Barthes em A Câmara Clara, é que "a imagem fotográfica é plena, lotada: não tem vaga, a ela não se pode acrescentar nada". A projeção dos conteúdos simbólicos ou psíquicos do Fotógrafo acontece, mas diante de um Referente, que é a ordem fundado da Fotografia. Não é possível dizer que o que foi fotografado não esteve lá. Deste modo a Fotografia, no caso dos portadores de doença mental, pode ter o efeito terapêutico de trazê-los para a Realidade, pois os leva a olhar esta realidade e registrá-la.

Abertura

A proposta que o Cândido desenvolvia permitia que se abrisse todos os canais de comunicação para a participação direta dos usuários. Assim, tinha-se um grupo de jornal, com muitos repórteres. Neste grupo levantava-se a pauta, discutia-se e executava-se o "Candura - Um Novo Pensamento", até hoje em circulação.

O envolvimento com as histórias e as vidas que se tratavam no Cândido era inevitável. No decorrer desses anos vivi uma belíssima experiência com um usuário, que aqui chamarei de Gabriel, para preservar sua identidade. Gabriel era um jovem de trinta e poucos anos, que já havia passado pelos tratamentos convencionais de internação. Na época mantinha sua crise sob controle trabalhando na oficina agrícola do Núcleo de Oficinas e Trabalho. Tanto Gabriel, quanto eu e a própria instituição, percebemos seu potencial para se tornar um assistente da Assessoria de Comunicação do serviço. E assim sua contratação foi efetivada e trabalhamos juntos durante um ano e pouco. Nesta mesma época Gabriel conseguiu fazer o curso de Auxiliar de Enfermagem e partiu para se desenvolver na sua área, tendo uma renda maior, seguindo seus projetos, deixando bons frutos e muita saudade.

A assessoria de comunicação acabou se envolvendo com muitas outras atividades: excursões, exposições de arte, festas, carnaval... mas sempre com o objetivo último de mudança da imagem da loucura na sociedade.

Numa certa altura do trabalho a instituição não tinha mais suporte financeiro para me manter no seu quadro, diante de outras propostas salariais que me chegaram. O que culminou com minha saída em setembro de 2000.

Abaixo transcrevo minha carta de despedida da instituição:

Aos amigos e amigas do Cândido Ferreira

"Então partir e voltar são só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo trem da partida. É hora do encontro e também despedida..."

Estar na estação Cândido Ferreira foi um privilégio que Deus me concedeu. O Cândido é uma escola de vida, de amor, de respeito...

Há praticamente 5 anos cheguei por aqui e hoje vejo o quanto cresci. E não é somente um crescimento profissional, é um crescimento interior. Cresci por dentro, evolui, aprendi com tudo e com cada um.

Hoje parto. Dia de despedir. Despedida deve ter a ver com despir, pois a gente se despe e se despede de quem se é muito íntimo. E é assim que parto, cheio de amigos, de laços, de carinho, de amor...

Vou em busca do novo. Vou com um baú que contém um tesouro, um tesouro da alma, que ninguém poderá roubar, que é o tesouro da convivência e crescimento humano que cada um de vocês me proporcionou.

Parto com uma certeza: amizades não morrem.

Tenho a ilusão, às vezes, que faço parte de uma trupe de circo, e agora é chegada a hora de fazer o espetáculo em outra cidade.

Sou um cidadão do mundo.

Muito obrigado a todos.

52,53,,


 
Últimas Notícias
Entrar / Sair





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
Fique ligado!

Assine nossos canais:

Leitores
SGD POWERED
X
<
>