Desculpe, mas este site não é compatível com a versão do navegador que você está usando.

Por favor, atualize seu navegador.

Logo Firefox
Convite Formatura
Início arrow Cândido Escola arrow Teses arrow A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6
Página 7
Página 8
Página 9
Página 10
Página 11
Página 12
Página 13
Página 14
Página 15
Página 16
Página 17
Página 18
Página 19
Página 20
Página 21
Página 22
Página 23
Página 24
Página 25
Página 26
Página 27
Página 28
Página 29
Página 30
Página 31
Página 32
Página 33
Página 34
Página 35
Página 36
Página 37
Página 38
Página 39
Página 40
Página 41
Página 42
Página 43
Página 44
Página 45
Página 46
Página 47
Página 48
Página 49
Página 50
Página 51
Página 52
Página 53
Página 54
Página 55
Página 56
Página 57
Página 58
Página 59
Página 60
Página 61
Página 62
Página 63
Página 64
Página 65
Página 66
Página 67
Página 68
Página 69
Página 70
Página 71
Página 72
Página 73
Página 74
Página 75
Página 76
Página 77
Página 78
Página 79
Página 80
Página 81
Página 82
Página 83
Página 84
Página 85
Página 86
Página 87
Página 88
Página 89
Página 90
Página 91
Página 92
Página 93
Página 94
Página 95
Página 96

Como a possibilidade da nossa mudança parecia tornar-se cada vez mais remota, a equipe decidiu quebrar a inércia e começou a fazer o leito-noite do HD na própria instituição. Arrumamos o espaço físico e foi feita a escolha da equipe do plantão noturno.

Esse foi um momento difícil, mas que fez com que, a equipe, se sentisse produtiva outra vez, já que foi uma forma de resgatar uma pequena parte de nossa autonomia e potencial criativo, que haviam sido bloqueados durante esse processo de espera. Eu convivia com uma ferida narcísica, uma dor de ver os profissionais de outras unidades assistenciais, hipoteticamente com menor experiência de atendimento em um equipamento como o CAPS, protagonizando as mudanças do modelo de saúde mental do município. Enquanto isso, para nós, só restava esperar.

Houve um fato que, ao mesmo tempo, possibilitou a inclusão do HD no rol de prioridades da prefeitura, mas que também determinou um ritmo bastante acelerado para a nossa mudança. Esse evento transformou algo que vinha em suspenso, durante aproximadamente um ano, em uma situação de urgência. A unidade de dependentes de substâncias psicoativas - que estava funcionando provisoriamente nas dependências do ex-hospital psiquiátrico e que não pôde, em função de falta de verbas, alugar uma casa na comunidade - recebeu a determinação da prefeitura de passar a funcionar no espaço físico da Instituição Matriz. Essa situação criou um impasse, uma vez que, embora o espaço da instituição fosse considerável, não havia espaço, para receber essa unidade assistencial, que demandava um amplo local para seu funcionamento, em função de sua clientela e demanda de tratamento.

Para tornar essa mudança possível, otimizando custos, seria necessário remanejar o espaço físico de duas outras unidades de grande porte, a unidade de internação e o HD. Nossa equipe viu nessa situação, a oportunidade de se transformar em CAPS. Em decorrência disso, ficou acertada a saída do HD para uma sede própria e seria feito o remanejamento das duas unidades assistenciais citadas anteriormente, para o novo espaço físico. A internação ocuparia o espaço do HD e a Unidade de dependentes de substâncias psicoativas ocuparia o espaço da Unidade de internação.

O único empecilho consistia no fato de o CAPS, ainda não ter encontrado uma casa para alugar, e teria que fazê-lo, assim como deixar tudo acertado para nossa saída, em um curto espaço de tempo.

A equipe do HD optou por alugar uma das casas que, havia visitado anteriormente, que atendia aos critérios preestabelecidos. Apesar de todo o empenho da equipe para que a mudança se desse de uma forma construtiva, o processo de mudança se deu de uma forma bastante conturbada. Em um período de aproximadamente um mês, ocorreu a escolha da casa, as negociações de aluguel com seus proprietários, a assinatura do contrato, a mudança de móveis e o início do funcionamento do CAPS no novo espaço. Esse tempo, porém, não foi suficiente para se ajustar ao prazo estabelecido para a transformação do espaço físico interno da Instituição Matriz.

O resultado da falta de planejamento foi o caos e teve como conseqüência um período de transição bastante traumático, tanto para os membros das três equipes, quanto para os pacientes das mesmas. Esse processo durou algumas semanas, mas essas me pareceram intermináveis.

Nesse período perdemos nosso espaço de tratamento (salas de atendimento), cedido para a unidade de internação. Além disso, a equipe ficou sabendo que teria que desocupar suas salas e espaços de convivência somente na véspera do dia da mudança: não tivemos, portanto, tempo sequer de informar os pacientes na assembléia e só foi possível conversar com os pacientes sobre a mudança, quando ela já era um fato consumado.

A perda do espaço de convivência e tratamento deu-se concretamente, antes de conseguirmos efetivar a nossa saída e antes que tivéssemos uma nova casa para nos acolher dignamente.

O HD passou a funcionar durante essas semanas, somente em dois cômodos: uma sala grande e um posto de enfermagem. Essa sala passou a ser a sala da equipe, o local de referência para os pacientes encontrarem seus terapeutas, a sala de reuniões da equipe, sala de atendimentos individuais e grupais, local para guardar e preencher prontuários e ainda, funcionou como depósito de alguns objetos, móveis do antigo HD, que seriam levados para a nova casa. O posto de enfermagem continuou a funcionar no mesmo local e os pacientes perderam sua sala de música e descanso. Todos os outros espaços passaram a ser utilizados pela Unidade de internação e algumas salas de atendimento e os banheiros dos pacientes passaram a ser de uso compartilhado entre os dois setores assistenciais, mas ficavam trancados, por serem parte do espaço ocupado pela internação e eram muito pouco utilizados pelos pacientes do HD.

Foi um período de intenso impacto emocional para os funcionários e pacientes de ambos os setores, pois, com a perda das referências espaciais (setting), não havia condições mínimas de trabalho e de dignidade . Pacientes agitavam-se nas duas unidadese eu vivenciava uma sensação de impotência, desespero e desamparo, quase absoluto. A única alternativa viável era agilizar os preparativos da mudança para a casa, o mais rápido possível.Os pacientes e as equipes estavam em crise.

66,67,68,69


Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
Últimas Notícias
Entrar / Sair





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
Fique ligado!

Assine nossos canais:

Leitores
SGD POWERED