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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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Cada profissional ao coordenar a assembléia, imprime à ela características próprias e em geral, não se remete a técnicas psicoterápicas grupais como ferramenta de trabalho. A coordenação se dá de forma intuitiva.

Esse grupo foi escolhido como sujeito e instrumental desta pesquisa, por acabar funcionando como um espaço regulador do momento institucional durante o processo de mudanças. Em função dos inúmeros imprevistos que ocorreram durante a mudança de casa do CAPS, este grupo funcionou como um espaço no qual as informações sobre a mudança eram fornecidas concomitantemente tanto para a equipe, quanto para os pacientes. O impacto das informações sobre o destino do CAPS, transmitidas nas assembléias pela gerente da unidade, repercutia sobre equipe e pacientes durante os encontros e por isso, tornou-se possível observar as reações emocionais a cada momento do processo de mudanças, para em um segundo momento refletir sobre os fenômenos observados.

2) LOCAL

A pesquisa realizou-se na Instituição Matriz e no CAPS e os dados foram coletados, em um primeiro momento, no prédio sede da instituição, numa área caracteristicamente rural. Após a mudança de casa, o CAPS passou a funcionar em um bairro de classe média alta, próxima à região central da cidade. Em função da manifestação contrária da nova vizinhança do CAPS, que resultou em um processo judicial - ganho pelos vizinhos - o CAPS ficou impedido de funcionar nesse bairro e teve que retornar ao prédio da Instituição Matriz. Portanto, a última etapa da coleta dados ocorreu novamente neste espaço físico. Tanto essa instituição, quanto o CAPS foram descritos no capítulo dois deste trabalho de pesquisa.

3) PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS

Torna-se importante ressaltar que não tenho a meta de dar aos dados aqui relatados um caráter imparcial, mas, pelo contrário, pretendo aproveitar-me de minha condição de membro do grupo de funcionários, de forma a ampliar o campo da observação, trazendo diversas possibilidades de olhares para os fenômenos observados.

Optei por fazer, concomitantemente ao relato das assembléias, anotações sobre os fatos que foram ocorrendo durante o processo de mudanças, para que estas pudessem auxiliar na compreensão do contexto no qual as mudanças e as assembléias ocorreram. Tais anotações têm como objetivo auxiliar na análise da contratransferência diante dos fenômenos vivenciados durante o processo de mudanças.

Os relatos dos encontros foram redigidos manualmente, enquanto as Assembléias ocorriam, e utilizei algumas abreviações de uso pessoal para poder registrar os dados num ritmo condizente com as falas dos participantes. Esses relatos foram, logo após a realização de cada encontro, transcritos no computador, de forma a respeitar, o máximo possível, a forma como os sujeitos se manifestaram durante o encontro.

Não considerei adequado o uso de gravador para o registro das assembléias, em função das características do espaço físico (sala ampla demais), do número de participantes e, em especial, das particularidades da clientela, pois esse recurso material poderia despertar uma dose maior de persecutoriedade nos participantes e ser um fator inibidor do comportamento de algumas pessoas, comprometendo a espontaneidade dos participantes da pesquisa.

Em função de questões éticas, foram omitidos os dados de identificação da Instituição Matriz, o nome do CAPS em questão e o nome da cidade na qual essas experiências ocorreram. Nos relatos das assembléias foram omitidos os nomes de seus participantes e foi escolhida uma forma alternativa de identificação dos mesmos, visando manter o mais oculta possível suas identidades. Encontram-se discriminadas as falas proferidas por membros da equipe de profissionais e por pacientes, uma vez que essa diferenciação foi considerada relevante para fins de análise dos dados.

Durante o período de abril a setembro de 2002 (período no qual as mudanças ocorreram) foram relatadas quinze assembléias. Não foi possível anotar um número maior de encontros em função de vários fatores: organização do processo de trabalho, em algumas semanas o grupo não ocorreu, ou em outras não era possível fazer o relato em função do estado emocional em que me encontrava, em decorrência dos problemas que vivenciamos.

Os relatos, em número de quatro, foram escolhidos segundo critérios estabelecidos previamente; foram utilizados os encontros realizados com menor intervalo de tempo possível entre a ocorrência da mudança de espaço físico e o momento da realização da assembléia, com o objetivo de avaliar o impacto das mudanças nos participantes. Assim, o primeiro relato ocorreu duas semanas antes da mudança de casa; o segundo ocorreu logo após a mudança e os dois últimos ocorreram após o retorno para a instituição matriz.

O relato da assembléia que ocorreu na semana anterior à mudança para a casa 1 foi excluído por se tratar do encontro no qual o nome do CAPS foi escolhido e o relato imediatamente após o retorno para a Instituição Matriz não foi realizado por não ter condições emocionais para fazê-lo. A assembléia seguinte não ocorreu, então apresentei a Assembléia com um intervalo de duas semanas em relação ao retorno para a instituição. A quarta foi escolhida por sua relevância para o tema pesquisado, por apresentar características diferentes das dos encontros anteriores.

Em função do grande número de participantes de cada (média de quarenta participantes por encontro), não utilizarei pseudônimos para identificar cada participante. Optei pelo uso da letra E para caracterizar as falas de qualquer membro da equipe, independente de sua função na mesma. Para critérios de análise foi relevante destacar duas funções em especial, que apareciam de forma mais clara nos encontros, denunciadas no conteúdo dos relatos: a função de pesquisadora e a função gerencial. Optei por não retirar os trechos nos quais essas funções apareciam caracterizadas, para dar mais elementos a análise da dinâmica do grupo e fidedignidade aos dados.

66,67,68,69


Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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