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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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11) . OBJETIVOS

Objetivos gerais

Descrever, compreender e interpretar os fenômenos psíquicos manifestos e latentes que emergiram durante o processo de mudanças ocorrido num Hospital-Dia envolvendo funcionários e pacientes, durante o período de abril a setembro de 2002.

A busca de compreensão e interpretação dos processos envolvidos nas mudanças se dará sob uma ótica psicanalítica.

Objetivos específicos

  1. Participar de algumas "Assembléias" ocorridas nesse período, descrevê-las e tomar notas de seus conteúdos.
  2. Compreender, analisar e discutir os diversos aspectos que compunham o processo de mudanças: mudança de local de funcionamento e da nomenclatura da instituição e uma mudança em sua estrutura de funcionamento, o que englobava tanto seu horário de funcionamento, quanto os objetivos institucionais (missão).

IV - MÉTODO

Trata-se de uma pesquisa-ação, cuja análise será qualitativa, segundo o referencial teórico da psicanálise.

Segundo Barbier:

Pesquisa-ação é uma atividade de compreensão e de explicação da práxis dos grupos sociais por eles mesmos...com o fito de melhorar essa práxis. A 'pesquisa-ação institucional' é um tipo particular de pesquisa-ação cujo objeto refere-se ao campo institucional no qual gravita o grupo em questão. Trata-se de desconstruir , através de um método analítico, a rede de significações das quais a instituição é portadora enquanto cédula simbólica (Barbier, 1985: p.156)

1) PARTICIPANTES DA PESQUISA

O objeto de análise da pesquisa serão as assembléias realizadas durante o processo de mudanças vivenciado pela equipe e pelos pacientes do CAPS.

As assembléias constituem-se em um grupo operativo realizado semanalmente no CAPS e têm por objetivo discutir e organizar o cotidiano, os espaços de convivência e o tratamento que ali é oferecido. A participação nas assembléias é voluntária e delas fazem parte a gerente da unidade, pacientes e profissionais que se encontrarem no CAPS no dia e horário nos quais os encontros se realizam. Em função disso, o número de participantes de cada assembléia pode variar de uma semana para a outra. Em média participam cerca de trinta a quarenta pessoas por encontro. Os encontros realizam-se todas a segundas-feiras e têm sessenta minutos de duração.

O grupo apresenta características bastante particulares, não encontradas na literatura especializada, mas se assemelha aos grupos de comunidades terapêuticas. Nele a coordenação é realizada por um funcionário e por um paciente do serviço. Estes são escolhidos no final de cada assembléia, por critérios aleatórios, em razão, basicamente, do desejo de exercer o papel de coordenador.

Esse grupo foi criado para tentar incluir os pacientes na gestão do cotidiano institucional, oferecendo espaço para que possam co-responsabilizar-se pela administração do espaço que utilizam e pelo tratamento que recebem. Essa estratégia visa a uma maior horizontalização das relações de poder dentro do tratamento, um dos objetivos do processo de reabilitação psicossocial. Caracteriza-se idealmente, como um espaço de exercício e resgate da cidadania. No início de cada encontro é feita uma apresentação dos integrantes do grupo, na qual cada um diz seu nome. Depois são informados os itens da pauta que serão discutidos naquele dia e que foram previamente agendados, a partir das discussões realizadas na assembléia anterior, ou foram destacados pela gerência, a partir de eventos significativos que ocorreram ou deverão ocorrer. Após informada a pauta, pergunta-se se o grupo tem algum outro item de pauta a ser acrescentado aos anteriores, ou algum informe a dar; e inicia-se a discussão do primeiro item de pauta e assim se faz sucessivamente. A pessoa que solicitou a pauta inicia geralmente a discussão e os demais participantes têm a palavra em seguida.

O CAPS possui aproximadamente 250 pacientes, incluindo os pacientes moradores das residências terapêuticas, de ambos os sexos, com uma predominância de pacientes do sexo masculino; a média de idade é de quarenta anos. Eles possuem baixa escolaridade e nível sócio-econômico bastante baixo. Existem pacientes que freqüentam o serviço desde a época em que o Hospital-Dia foi fundado e há um outro grupo de pacientes que foram recém-admitidos no tratamento. Há uma predominância de casos de psicose. A maioria possui uma longa história de tratamento psiquiátrico, tendo passado por diversos serviços de saúde, antes de serem tratados no CAPS.

A equipe é composta por quarenta e sete funcionários, sendo quatro psiquiatras, seis psicólogas, duas terapeutas ocupacionais, quatro enfermeiros, dois auxiliares administrativos, vinte auxiliares de enfermagem, quatro monitoras, quatro auxiliares de higiene e um gerente administrativo. Esses profissionais têm suas horas de trabalho distribuídas durante a semana (segunda à sexta), e há uma maior concentração de profissionais no período diurno (7 h às 17 h). Durante as noites, finais de semana e feriados, há profissionais de plantão, o que garante um funcionamento vinte e quatro horas ao serviço. A equipe é composta predominantemente por profissionais do sexo feminino e a idade média é de trinta e cinco anos. Quase a totalidade dos profissionais de nível superior adota um referencial psicanalítico em seu trabalho e faz formação para atendimentos individuais.

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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