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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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10) OS GRUPOS OPERATIVOS

Grupo é um conjunto restrito de pessoas, ligadas por constantes de tempo e espaço, que se propõe de forma implícita e explícita, a uma tarefa que constitui sua finalidade, interatuando através de complexos mecanismos de assunção e adjudicação de papéis. (Pichon-Rivière, 1980).

Os grupos operativos, segundo Fernandes, W.J. (2003):

São os grupos com o objetivo de esclarecer temas, situações, tarefas e proporcionar algum aprendizado que favoreça o progresso das pessoas envolvidas, individualmente ou como equipe (p.187).

Para Pichon-Rivière (1980), esses grupos podem ser aplicados em um contexto de ensino-aprendizagem (tarefa é a transmissão de conhecimentos), em um contexto clínico (tarefa é o tratamento) e em um contexto institucional (tarefa é a resolução de problemas). Essas são as tarefas a serem realizadas de forma explícita (tarefa consciente), mas sob elas subjaz outra, implícita (tarefa interna, portanto, inconsciente), que implica o esclarecimento e transformação das resistências e estereotipias, provocadas em geral pelo medo do novo e que resultam em obstáculos de comunicação, que acabam por dificultar a realização da tarefa e o processo de mudança em si. Esse processo ocorreria dentro de um modelo de uma espiral dialética; portanto, essas duas tarefas são complementares, ou seja, nenhuma pode ser realizada sem a outra.

Dito de outra forma, a tarefa prioritária é a elaboração de um esquema referencial comum, dentro de um processo dialético, em que as contradições referentes ao campo de trabalho devem ser resolvidas como tarefa comum durante o grupo.

Para Pichon, o conhecimento é terapêutico. Se alguém ensina, outro aprende; tampouco é possível ensinar sem aprender com os próprios ensinamentos e com a vivência do outro. Ensinar-aprender é dialético e é terapêutico (Fernandes, W.J. 2003: p.196).

A tarefa e o vínculo seriam os elementos organizadores dos processos de pensamento, de comunicação e de ação que ocorrem na situação de grupo e que direcionam o grupo para o desenvolvimento de projetos comuns.

Os grupos operativos são mais do que uma modalidade técnica, mas envolvem uma forma de pensar e operar em grupos, que poderia ser considerada uma verdadeira ideologia.

As ideologias (conscientes e inconscientes) são fatores fundamentais na organização da vida. Caracterizam-se por um sistema de idéias e valores que dispomos para nos orientar nas escolhas e tomada de decisões.

Um dos papéis essenciais do coordenador de grupos com este referencial é que ele assuma uma postura democrática e crie condições para que toda ação e todo pensamento que se desenvolva no grupo deva originar-se do próprio grupo, pois caso esses venham de fora do grupo, este deixa de ser operativo.

A principal função do coordenador é a de auxiliar o grupo a realizar sua tarefa interna reflexiva, o que será feito através de intervenções e interpretações, com o objetivo de possibilitar a resolução da tarefa externa, que por sua vez, é de responsabilidade do grupo e não do coordenador. Tais intervenções, ao tornarem consciente o que estava inconsciente, permitem aos participantes enfrentar racionalmente os obstáculos que estavam interferindo na realização da tarefa.

Aprender em grupo significa desenvolver uma leitura crítica da realidade, uma apropriação ativa dessa realidade. Implica uma atitude investigadora, na qual cada resposta obtida se transforma, imediatamente, numa nova pergunta. Aprender, na teoria pichoneana, é sinônimo de mudança. Aprender em grupo não significa obter um conhecimento formal, enciclopédico ou acadêmico, mas uma atitude mental aberta, investigatória e científica.

Identificam-se três momentos de um grupo operativo: pré-tarefa, tarefa e projeto. Ele acredita que quanto maior for a heterogeneidade entre os membros do grupo e maior for a homogeneidade na tarefa, maior será a produtividade do grupo.

Em toda situação de mudança são mobilizados dois medos básicos: da perda (angústia depressiva) e do ataque (angústia paranóide), que estão a serviço da resistência ao novo.

O objetivo é provocar no grupo um movimento dialético, segundo o qual cada alvo alcançado transforma-se, imediatamente, em um novo ponto de partida. É nessas idas e vindas do movimento dialético, que vão ocorrendo os ajustes e correções de conceitos, preconceitos, tabus, fantasias inconscientes, idéias preconcebidas, crenças e estereotipias, desenvolvendo uma atitude plástica e criativa (resultante operativa).

Os conceitos psicanalíticos, as crenças pessoais e/ou grupais, assim como a descrição da clínica do CAPS dentro do contexto da reforma psiquiátrica, são os elementos básicos necessários para a compreensão da escolha do método da pesquisa, da conseqüente contextualização do processo vivido e da análise dos resultados encontrados.

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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