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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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5) CONTRIBUIÇÕES DE KLEIN PARA O PCV

Klein (1932 e 1958) desenvolveu sua teoria de que o bebê desde o nascimento possui ego suficiente para experimentar ansiedades e mecanismos de defesa, ampliou assim, os conceitos desenvolvidos por Freud e os aplicou a uma fase mais precoce da vida. Para ela, o complexo de Édipo se desenvolve de forma rudimentar desde os primeiros vínculos com os pais. Sua teoria das relações objetais foi fundamental para o desenvolvimento de uma psicanálise dos vínculos.

Os conceitos mais importantes para a compreensão dos aspectos apresentados neste trabalho são sua teoria sobre as posições esquizoparanóide e depressiva, assim como de identificação projetiva.

Para Rosenfeld, H. (1971) a identificação projetiva é basicamente um processo de comunicação primitivo, mas pode ser usada também como uma forma de negação da realidade psíquica. Trata-se de uma forma de comunicação não-verbal, na qual a criança projeta para dentro do corpo da mãe impulsos, partes do self (boas e más) e ansiedades difíceis de serem suportadas,resultando em uma fusão e identificação das partes do self que foram projetadas, com os objetos externos. Os objetos que contêm partes agressivas do self tornam-se persecutórios e passam a ser vivenciados como se ameaçassem o paciente com uma possível retaliação, sendo reincorporados pelo ego.

O mesmo processo é a base para o vínculo entre analista e paciente durante o processo de análise, em especial na análise de pacientes psicóticos, uma vez que acaba se constituindo, nesses casos, na principal forma de comunicação.

O ego do bebê é desorganizado inicialmente e o seu grau de integração é lábil, variando constantemente. Desde o nascimento, o ego começa a se confrontar com a presença dos instintos de vida e de morte, que associados ao contato com a realidade externa, vão produzindo ansiedades.

No início, o bebê se relaciona com a mãe como sendo uma parte dele, como uma extensão de seu próprio corpo, e, com seu desenvolvimento neuropsicomotor, vai se diferenciando dela. Por isso, ele passa a se relacionar com a mãe é percebida como um objeto parcial, e, em um primeiro momento, ele faz uma divisão de objetos (splitting ), para lidar com suas ansiedades, separando de forma rígida seus objetos bons e maus (seio bom e seio mau). Essa foi a saída do psiquismo para proteger os objetos bons (instinto de vida), que sofrem constantes ameaças de serem destruídos pelos objetos maus (instinto de morte), que são projetados para fora da mente. O objeto bom é extremamente idealizado e o objeto mau adquire características de monstro perseguidor. O bebê tenta se identificar com o objeto bom que lhe dá vida e aconchego e expulsar os objetos maus. Esses fenômenos são a base da ansiedade característica da posição esquizoparanóide.

Os mecanismos de defesa mais comuns nessa fase são a divisão (splitting ), projeção, introjeção, identificação projetiva e introjetiva, idealização, onipotência e negação.

Para Segal (1964):

Uma das realizações da posição esquizoparanóide é a divisão (splitting ). É ela que permite ao ego emergir do caos e ordenar suas experiências. (...) Trata-se da base do que mais tarde se torna a faculdade de discriminação, cuja origem é a diferenciação primitiva entre bom e mau. Há outros aspectos da divisão (splitting) que permanecem e que são importantes na vida madura. Por exemplo, a capacidade de prestar atenção e de suspender a própria emoção a fim de formar um juízo intelectual não seriam alcançadas sem a capacidade de divisão (splitting ) temporária e reversível. A divisão (splitting) também é a base para o que depois se torna a repressão (p.47).

O mesmo ocorre com a ansiedade persecutória que é a base para o reconhecimento dos perigos reais. Segal (1964), sobre a idealização e a identificação projetiva, acrescenta:

A idealização é a base da crença na bondade dos objetos e na própria bondade, e é percursora de boas relações de objeto. A relação com um objeto bom geralmente contém um certo grau de idealização, e essa idealização persiste em várias situações, tais como apaixonar-se, apreciar a beleza, formar idéias sociais e políticas... A identificação projetiva também tem seus aspectos valiosos. Antes de tudo, trata-se da forma mais primitiva de empatia, e é sobre a identificação projetiva, bem como sobre a identificação introjetiva, que se baseia a capacidade de 'colocar-se no lugar do outro'. A identificação projetiva também fornece a base da forma mais primitiva de formação simbólica (p.48).

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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