Desculpe, mas este site não é compatível com a versão do navegador que você está usando.

Por favor, atualize seu navegador.

Logo Firefox
Convite Formatura
Início arrow Cândido Escola arrow Teses arrow A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6
Página 7
Página 8
Página 9
Página 10
Página 11
Página 12
Página 13
Página 14
Página 15
Página 16
Página 17
Página 18
Página 19
Página 20
Página 21
Página 22
Página 23
Página 24
Página 25
Página 26
Página 27
Página 28
Página 29
Página 30
Página 31
Página 32
Página 33
Página 34
Página 35
Página 36
Página 37
Página 38
Página 39
Página 40
Página 41
Página 42
Página 43
Página 44
Página 45
Página 46
Página 47
Página 48
Página 49
Página 50
Página 51
Página 52
Página 53
Página 54
Página 55
Página 56
Página 57
Página 58
Página 59
Página 60
Página 61
Página 62
Página 63
Página 64
Página 65
Página 66
Página 67
Página 68
Página 69
Página 70
Página 71
Página 72
Página 73
Página 74
Página 75
Página 76
Página 77
Página 78
Página 79
Página 80
Página 81
Página 82
Página 83
Página 84
Página 85
Página 86
Página 87
Página 88
Página 89
Página 90
Página 91
Página 92
Página 93
Página 94
Página 95
Página 96

2) PATOLOGIAS NO VÍNCULO

Klein (1957), Segal (1964) e Bion (1994) referem-se a patologias relacionadas ao processo de vinculação, que denominaram "ataques ao vínculo". Estas seriam patologias da posição esquizoparanóide. São decorrentes, por exemplo, da inveja provocada pelo vínculo pai-mãe. Nesse contexto, pode ser atacado o vínculo bebê-seio ou o vínculo sentir-pensar.

Bateson (1972) desenvolveu o conceito de "duplo vínculo", que seria a verbalização de uma ordem paradoxal, acompanhada de uma desqualificação do sujeito. Ele comenta que, na esquizofrenia, as vivências são marcadas por situações de impasse, ambivalência e confusão mental, conseqüentes de mensagens contraditórias emitidas pelos sujeitos, inicialmente no vínculo familiar primitivo.

O duplo vínculo aparece quando há uma interação entre duas ou mais pessoas, na qual uma delas assume um papel de vítima. Em seguida, ocorre a emissão de mensagens verbais ou não-verbais contraditórias entre si e ocorre algo que proíbe a "vítima" de afastar-se do campo relacional, o que pode ser uma mensagem explícita ou implícita.

Zimerman (1995) complementa dizendo que esses aspectos visam a manutenção de uma relação de dominação, buscando um estado de indiferenciação, que tende a paralisar os indivíduos. Afirma que, nesse tipo de vínculo narcisista, ocorre um conluio entre os seus protagonistas, o qual mesmo que possa emergir através de um vínculo de característica hierarquizada, visa escapar do mecanismo de fusão, estando em defesa da sobrevivência psíquica.

No trabalho analítico multipessoal, há uma especial incorporação dos conteúdos não-verbais. Nesse sentido, o dispositivo grupal é privilegiado, entre outros motivos, devido ao trabalho psicanalítico ocorrer frente a frente, "quando, além disso, (...) manifestam-se não só o gesto e outros indicadores característicos da corporeidade, mas também o interjogo dos olhares e os contatos ou distâncias especiais, que revelam afetos" (Rojas, 2000, p.251).

No processo de vinculação são feitos "pactos inconscientes", que funcionam como um tipo de contrato também inconsciente. Esses pactos implicam acordos grupais que ocorrem a partir do espaço intra-subjetivo de cada participante e têm como objetivo um funcionamento mental e vincular coletivo e, portanto, mais eficaz, no que diz respeito à manutenção da coesão do grupo. Podem ser responsáveis por quebras e dificuldades na comunicação, uma vez que resultam de partes não compartilháveis dos participantes, que cedem ao desejo de um outro e isso acaba sendo registrado em uma espécie de lista negra. Na verdade, cada participante continua a manter sua opinião própria, usando a si mesmo como paradigma, de forma que não será possível uma convivência saudável das divergências, pois estas acabam sendo ocultadas, uma vez que os participantes passam a não se ouvir realmente, a não considerar o outro, que passa a ser visto como uma ameaça, o que impossibilita a capacidade de pensamento.

3) O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

A compreensão dos fenômenos que ocorrem nos processos de comunicação é a base para o estudo das experiências emocionais que caracterizam os processos vinculares.

O processo é algo dinâmico e em constante evolução. Fernandes, W.J. (2003) descreve o processo de comunicação como algo que está continuamente em andamento dentro de cada indivíduo.

Berlo (1979) ressalta que as palavras em si mesmas não querem dizer coisa alguma, pois os sentidos não se encontram através do que se diz; assim, devemos procurar as significações nas pessoas. Sempre que uma determinada pessoa aprende uma nova palavra, a ela atribui um algo mais, relacionado à sua vivência emocional. Argumenta que a comunicação não consiste na transmissão de significados, uma vez que não acredita que os sentidos sejam transmissíveis, o que é transmissível é a mensagem. Por sua vez, os sentidos não se encontram nas mensagens, mas nos protagonistas do processo de comunicação. Dentre outros aspectos, a natureza de uma comunicação depende da seqüência comunicacional em que ela ocorre e da pontuação empregada em cada seqüência.

Segundo Osório (2000), a saúde comunicacional apoia-se na alternância de situações simétricas (igualdade ou diferença mínima na forma de comunicação entre os sujeitos) e complementares (cuja marca é uma diferença significativa entre os estilos de comunicação, que abrangem situações hierarquizadas, nas quais um participante fica em posição de superioridade em relação ao outro). Isso permitiria que, na prática, igualdades e diferenças pudessem coabitar, potencializando-se mutuamente. Nessa situação, não se negam as diferenças, mas estas são aproveitadas de forma a enriquecer a comunicação.

Fernandes, W.J. (2003) ressalta:

Graves mal entendidos podem ser atribuídos à falsa suposição de que há sentido na mensagem, em vez de somente na fonte e no receptor. As formas pelas quais as pessoas debatem, e os temas que escolhem para debater, dependem, em parte, de qual seja o vértice aceito por elas. Grande parte de nossas discussões baseia-se na suposição de que determinada palavra tenha um significado específico e de que qualquer pessoa que empregue essa palavra pretenda exprimir esse sentido, ou seja, o nosso sentido (p.48).

Berlo (1979) aponta para o fato de a formulação de interpretações egocêntricas e narcísicas (terapêuticas ou em outros contextos) ocorrer em função de uma tendência das pessoas de analisar o mundo segundo um referencial pessoal, o que resultaria em uma falta de interação, de empatia e da comunicação em si. O significado encontra-se nas pessoas e nem todas querem dizer o mesmo com todas as palavras. O que importaria não seria o ato da comunicação, mas sua natureza; ele alerta para a relatividade da comunicação.

Toda comunicação traz consigo uma metacomunicação, o que implica a comunicação de aspectos predominantemente não-verbais, que dão ao conteúdo manifesto da comunicação, um sentido latente. A metacomunicação pode ser pesquisada nos encontros grupais, através da observação dos atos comunicativos que nele ocorrem, por exemplo: falar em tom inaudível; agir como se não estivesse ouvindo alguém; responder algo extremamente diferente do que lhe foi perguntado; dramatizar os não-ditos do grupo; o aparecimento dos silêncios, sintomas, atos falhos, acting outs ; dentre outros exemplos. Esses fenômenos podem ocorrer tanto com terapeutas como com pacientes.

A maior parte das confusões que ocorrem nos grupos se dão em função de omissões, quando partes fundamentais da mensagem permanecem implícitas. Em decorrência disso, em muitas situações, o trabalho do analista será buscar compreender os não-ditos. Com freqüência, o que não é verbalizado ou escutado relaciona-se com o filtro pessoal de cada indivíduo e com seu conjunto de valores, estado de mente e com o contexto grupal.

Fernandes, W.J. (2003) complementa que a comunicação verdadeira geralmente é impedida pela inveja. Exemplifica dizendo que nos estados maníacos, por exemplo, não ocorre comunicação, somente monólogos onipotentes e narcisistas. A maior parte dessas patologias da comunicação ocorre visando preservar o indivíduo da dor e do sofrimento, uma vez que a verdadeira comunicação só ocorre na predominância da posição depressiva.

66,67,68,69


Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
Últimas Notícias
Entrar / Sair





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
Fique ligado!

Assine nossos canais:

Leitores
SGD POWERED