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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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Bernard (In Fernandes, W.J., 2003), acrescenta o conceito de "atuação" (acting out ), que no caso da PCV caracteriza-se pelo material inconsciente recalcado, e emerge por meio de uma dramatização que ocorre durante o exercício dos papéis.

Puget e Berenstein (1987) propuseram um modelo de aparelho psíquico, composto por três espaços psíquicos. O primeiro deles consiste no mundo interno (espaço psíquico intrasubjetivo) é caracterizado de forma semelhante ao conceito de inconsciente freudiano.

O segundo seria o mundo interpessoal (espaço psíquico intersubjetivo), no qual encontram-se o sujeito e os outros, aqueles com quem aquele tem alguma relação de intimidade. Refere-se ao mundo externo e, nele, o sujeito experimenta diversos sentimentos em sua interação com os outros e percebe as reações dos outros em relação a ele. É nesse espaço que se constitui a identidade sexual e o sentimento de pertença.

O terceiro mundo é o sociocultural (espaço psíquico transubjetivo) e representa o macrocontexto social onde cada sujeito estabelece relações com os valores, as crenças, as ideologias e sua própria história. Cada um desses espaços tem vida própria e alguns autores os consideram os espaços psíquicos do vínculo (Fernandes, W.J., Pichon-Rivière, Bion, Zimerman e outros). Tais autores consideram o vínculo como fenômeno simultâneo dos mundos interno e externo. Entretanto, os autores argentinos Puget, Berenstein, Bernard (entre outros), o consideram um fenômeno apenas interpessoal.

O sentimento de pertença do sujeito denuncia os conflitos derivados de sua inserção no contexto social e, por isto, é fundamental que o analista investigue esse aspecto na análise.

Considerar o outro é a essência do trabalho psicanalítico grupal. Nele, temos a oportunidade ímpar de usar o dispositivo grupo como laboratório, aprendendo como nos vinculamos e como os outros se vinculam, aprendendo, em última análise, a 'conviver com as diferenças' (Fernandes, W.J e Svartman, 2003: p.71).

Os autores acima consideram três modalidades de contato com o outro: a primeira se dá quando a representação do mundo é colocada sobre um componente corporal, o nível originário, impossível de ser traduzido pela palavra, já que é anterior a ela. Nesse caso, estabelecer contato envolve uma intensa carga de angústia relacionada com a perda de limites ou com a solidão. No segundo nível, há um reconhecimento do outro, mas este está distorcido pelo desejo do que o sujeito quer que o outro seja, ou que papel quer que ele desempenhe. Essa é uma forma auto-referente de vinculação (nível fantasmático) na qual o outro é percebido como uma extensão do sujeito, estando contra ou a favor dele. A terceira modalidade baseia-se no modelo de comunicação e pode ser mais ou menos eficiente. É chamada de fase de "construção do objeto imaginado" e caracteriza-se por relações mais estáveis. Trata-se de uma relação pensada e realimentada mesmo na ausência do outro.

Aqui se pode novamente verificar a importância de considerar inteiramente o'outro' - verdadeiro teste da realidade. Cada reencontro obriga que o participante da dupla abandone, em parte, o objeto pensado e o substitua pelo 'outro real', que está presente. É assim que a importância do outro real externo é sentida, causando sofrimento ao ego, ao mesmo tempo em que o fortalece (Fernandes, W.J e Svartman, 2003: p.72).

Pagés e Ávila (2003) definem identificação como um processo no qual se dá a construção da nossa identidade e subjetividade.

Durand (2003) faz algumas considerações sobre o amor objetal:

A libido objetal resulta no vínculo, e a libido do ego é a condição para o vínculo. Um narcisismo bem-estabelecido propicia a experiência da solidão; sem ela, o outro terá a função de prótese para as deficiências do ego, comprometendo a liberdade em nome de uma intimidade que se revela apenas um artifício. Sabemos que a catexia tanto pode ser colocada no outro quanto retirada dele. Este, talvez, seja o grande drama do amor, porque nada garante a manutenção do investimento libidinal, havendo uma linguagem particular a cada pessoa e transformações no transcorrer do vínculo (Durand, 2003: p.89).

As transformações institucionais, assim como o desenvolvimento de novos projetos (o verdadeiramente novo) se dá como conseqüência do ideal de ego da instituição e sua experiência passada, que cria o desejo para o desenvolvimento de futuros projetos.

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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