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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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Cada equipe de referência é responsável pelo desenvolvimento e acompanhamento de projetos terapêuticos individuais (PTI) de cerca de 70 pacientes atualmente.

Os profissionais de nível universitário desenvolvem, em sua rotina, atendimentos individuais e grupais, evoluções em prontuários, elaboração de laudos e funções burocráticas, organização de eventos, acompanhamento de estagiários, encaminhamento de pedidos de documentação e benefícios previdenciários, estabelecem contatos com familiares, fazem encaminhamentos para outros serviços de saúde e/ou especialidades médicas, dentre outras atividades.

Cada equipe de referência reúne-se semanalmente para a discussão dos casos e há um período destinado à reunião de toda a equipe (exceção do plantão noturno, que é representado por um ou dois funcionários em esquema de rodízio). A equipe dispõe de verba para realizar supervisões clínicas e institucionais - que ocorrem quinzenalmente - e para assessorias de planejamento, que ocorrem sempre que requisitadas pela equipe e/ou pelos gestores.

A partir do momento em que o CAPS passou a funcionar vinte e quatro horas diárias, a equipe passou a lidar com um desafio, pois passou a responsabilizar-se integralmente por funções relacionadas a pelo menos três tecnologias bastante diversificadas e complexas de cuidados em saúde mental: a reabilitação psicossocial, o atendimento de pacientes em crise e o cuidado com moradias terapêuticas.

Cada uma dessas tecnologias de cuidados demanda práticas cotidianas específicas, complexas, além de uma dedicação intensa por parte dos profissionais, tanto no que diz respeito ao número de horas que dedicam a cada atividade, quanto em relação a seu investimento pessoal. Todos os profissionais desenvolvem todas as atividades descritas acima, independentemente de sua formação profissional.

O tratamento de pacientes com quadros mais estabilizados em um modelo de reabilitação psicossocial costuma ocorrer prioritariamente durante o período diurno e abrange atividades mais estruturadas, como atendimentos psicoterápicos grupais e individuais, grupos operativos, atividades socioculturais, passeios, atividades esportivas, acompanhamento terapêutico, visitas domiciliares, grupos de família, montagem de comissões mistas de pacientes e terapeutas para resolução de problemas cotidianos, etc.

Os pacientes do CAPS podem freqüentar, simultaneamente aos seus tratamentos, outras unidades da instituição matriz, como as oficinas de trabalho ou o centro de convivência.

A equipe do CAPS organiza-se de forma a dispor diariamente, exceto nos finais de semana e feriados de um grupo de pelo menos três profissionais - composto por dois profissionais de nível universitário e por um auxiliar (ou técnico) de enfermagem - que seriam responsáveis por uma espécie de plantão multiprofissional. Este grupo é denominado internamente de acolhedores das demandas do dia/crise e de acolhedores de casos novos (triagens) e foi especialmente planejado para atender aos casos de pacientes em crise. Enquanto isto os demais profissionais da equipe estariam realizando as atividades de rotina. A equipe entende que o atendimento de crise exige uma atenção mais individualizada, muitas vezes em uma proporção de pelo menos um profissional para atender a um único paciente. Em casos de crises com sintomas de agitação psicomotora, existe uma necessidade de deslocar mais profissionais para um único paciente. Outra característica dos pacientes em crise é que eles demandam atividades que exijam deles um menor grau de concentração e que os deixem mais livres para circular pela casa. Para essa demanda são oferecidos grupos abertos, atividades manuais ou físicas e os momentos de convivência.

Os pacientes circulam muito pelo espaço e muitas vezes os espaços informais de convivência lhes são mais acolhedores do que as atividades mais estruturadas (grupos de forma geral). Isso exige que os profissionais estejam disponíveis em tais espaços para conversas informais e tentativas de estabelecimento de vínculos com pessoas e/ou atividades e/ou espaços da casa. Esses pacientes demandam mais freqüentemente uma agilidade maior de resolubilidade por parte dos profissionais, que precisam tomar decisões rápidas e fazer alterações mais freqüentes no projeto terapêutico individual. Trata-se de um atendimento mais - corpo a corpo- e também mais solitário para o profissional, que não tem tempo, muitas vezes, para consultar seus pares antes de tomar decisões. É um espaço que demanda ação e agilidade mental, no qual algumas vezes a segurança física do paciente e/ou do próprio profissional está em risco.

Nesse tipo de atendimento, a participação do psiquiatra é crucial, no que diz respeito à medicação, pois nem sempre é possível conter um quadro de sintomatologia aguda grave apenas com um manejo verbal. Muitas vezes é necessário, como últimos recursos, fazer contenções químicas ou físicas, nos casos em que exista risco para o bem estar físico do paciente e de terceiros.

Existe uma demanda freqüente de busca ativa, ou seja, ir até a residência dos pacientes, sempre que recebemos um pedido de auxílio, para avaliar se há necessidade de tratamento e caso houver, ele seria convidado a freqüentar o CAPS. Também há uma demanda de visitas domiciliares para pacientes já em tratamento, assim como de uma constante interação entre o CAPS e os demais serviços da rede básica.

Por outro lado, o trabalho em moradias protegidas é caracterizado como um trabalho de paciência, de longo prazo, que envolve a elaboração de projetos individuais para cada casa, como o treino de atividades do cotidiano doméstico por exemplo. Trata-se de um trabalho pedagógico e de estímulo à convivência e à recuperação de vínculos e desejos. O tempo de resposta do paciente também é bastante lento, por tratarem-se de pacientes bastante idosos e comprometidos pela doença.

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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