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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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- Unidade clínica e de pacientes moradores: Trata-se de uma unidade assistencial dividida em dois setores com características diferentes. O primeiro abriga pacientes com transtornos mentais graves de longa duração e que têm necessidades de cuidados clínicos intensivos, decorrentes da idade avançada dos pacientes, da evolução da doença psiquiátrica ou das suas condições clínicas. No segundo setor encontram-se pacientes que, por alguma razão, não se adaptaram à vida nas moradias fora da instituição e ficam em uma casa chamada institucionalmente de pensão protegida, localizada dentro da instituição matriz. São pacientes que continuam sendo preparados para a vida em uma moradia na comunidade.

Esse setor também oferece moradias fora da instituição com equipe vinte e quatro horas, por lidar com pacientes dependentes, que demandam cuidados clínicos regulares e intensivos.

- Unidade de internação: Atende pacientes com sintomatologia aguda, em regime de internação breve, que abrange um período médio de trinta dias. Oferece um tratamento medicamentoso e psicoterapia breve individual e grupal, além de atividades de terapia ocupacional, socioculturais e de lazer. Possui atualmente quarenta vagas para internação e cinco vagas para leito-noite que são oferecidas a todo o município. As vagas para leito-noite destinam-se a pacientes que estejam entrando em crise, mas não necessitem ainda de uma internação integral. A avaliação é feita pela equipe que encaminha o paciente para pernoitar na unidade vinte e quatro horas e que será responsável, no dia seguinte, por buscar o paciente nessa unidade e dar continuidade a seu projeto de tratamento em seu serviço de origem, numa tentativa de evitar a internação integral. Isso visa minimizar os danos provenientes, por melhor que seja o tratamento oferecido nestas unidades, da retirada de seu interno do convívio social e familiar. Atualmente, há dois modos de tratamento, segundo critérios de gravidade do caso e dos conseqüentes riscos para o paciente e para terceiros. Há um setor fechado para tratamento dos casos de maior risco e um setor aberto para casos nos quais a necessidade de um espaço restrito é menor. Os pacientes costumam ser encaminhados para o setor aberto, conforme melhorem sua sintomatologia, mas o contrário também pode ocorrer, caso seja identificada uma piora nos sintomas ou comportamentos de risco. Após a alta os pacientes são encaminhados para dar continuidade a seus tratamentos em seu serviço de origem. Caso não tenham feito tratamento regular até o momento de sua internação, são encaminhados para avaliação inicial no serviço da região da cidade, na qual o paciente reside. Esse procedimento ocorre durante o período de internação, o que visa aumentar as chances de adesão ao serviço ao qual o paciente está sendo encaminhado, tentando prevenir o risco de novas internações, que é maior nos casos em que não é feito tratamento regular.

- Unidade de atendimento ao dependente de substâncias psicoativas: Trata-se de um serviço que visa a internação para desintoxicação por um curto período de tempo após o qual, o paciente pode continuar a freqüentar o tratamento ambulatorialmente, através de um programa de prevenção de recaídas. A adesão ao tratamento é voluntária, tanto na etapa de internação, quanto na fase de acompanhamento ambulatorial.

- Centros de atenção psicossocial (CAPS): Atualmente a instituição matriz administra três CAPS que funcionam fora do espaço físico de seu prédio sede. Os CAPS são regionalizados e possuem características híbridas das formas de estruturação dos CAPS e NAPS descritas anteriormente. Um desses CAPS é, como já dito anteriormente, o cenário no qual a pesquisa ocorreu. Eles funcionam vinte e quatro horas por dia e oferecem oito leitos-noite cada um, para os pacientes já inscritos em seus tratamentos, sempre que demandem cuidados mais intensivos em função de um processo de reagudização de sintomas. O princípio básico que justifica essa ação é o conceito de vínculo, pois a prática mostra que o indivíduo que se encontra em crise responde melhor ao tratamento quando em contato com pessoas que ele conheça, que conhecem sua história e em quem já deposite um mínimo grau de confiança. Nos momentos de crise, é tradicionalmente retirado de sua casa e de sua convivência familiar, o que implica uma intensa vulnerabilidade. Estar em contato com um ambiente previamente conhecido, interagindo com rostos familiares, pode minimizar os efeitos negativos de um período de internação. Os CAPS oferecem tratamento psicoterápico individual e grupal, medicamentoso, acompanhamento terapêutico, terapia ocupacional, terapia familiar, passeios, atividades socioculturais e um ambiente de convivência. Desenvolvem, ainda, um projeto terapêutico individualizado para cada paciente e as atividades oferecidas variam de um CAPS para outro, de acordo com as características da demanda dos pacientes e da equipe terapêutica. Cada CAPS da Instituição Matriz atende, até o presente momento, um número médio de 250 pacientes.

A prefeitura tem como meta o fechamento das unidades de internação e do setor de crônicos da Instituição Matriz, para que os recursos humanos dessas unidades sejam aproveitados na montagem de novos CAPS. Planeja a montagem de novas moradias de alta complexidade, para onde iriam os pacientes crônicos do setor. Ela parte do princípio ideológico de que com a montagem dos CAPS vinte e quatro horas, os leitos de internação de agudos não serão mais necessários. E esse é um ponto que tem gerado polêmica entre os profissionais de saúde, pois muitos não compartilham desta crença. Além disso, não há nenhum tipo de negociação com os hospitais gerais, até o momento, para que ofereçam novos leitos de retaguarda para a saúde mental. Muito pelo contrário, esses hospitais estão em processo de fechamento de leitos psiquiátricos, o que demonstra uma falha no modelo do município.

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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