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A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil Imprimir E-mail
Por Débora Isane Ratner Kirschbaum   
18 de outubro de 1996
Índice de Artigos
A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil
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As marcações utilizadas na transcrição dos depoimentos para suprir algumas deficiências resultantes da passagem do documento para a forma escrita são as recomendadas no Manual do Programa de História Oral do CPDOC (Alberti, 1989) com algumas adaptações. Neste estudo foram adotadas as seguintes marcações:

  • ... - enunciados incompletos
  • (...) - trechos do depoimento não reproduzidos
  • (ênfase) - quando ocorre uma mudança na tonalidade da voz do entrevistado, para evidenciar o destaque que ele deu a uma palavra ou frase
  • (inaudível) - quando uma palavra ou frase não é clara na transcrição da gravação.
  • (pausa) - quando o entrevistado interrompe o discurso
  • (silêncio) - quando o entrevistado interrompe o relato e se estabelece uma pausa em meio a própria narração
  • (data) ou (local) - para contextualizar o relato em relação ao que tinha sido relatado pelo entrevistado antes do trecho transcrito. As vezes uma das últimas frases é colocada também entre parênteses para situar o leitor ou referenciar o que estava escrito no trecho anterior do depoimento.

Entrevistadora

[1]De acordo com o que se mostrará nos próximos capítulos, o modelo Nightingale foi criado por Florence Nightingale, na Inglaterra, no final do século XIX e foi adotado no Brasil inicialmente em 1923, pela Escola de Enfermeiras Anna Néry, a primeira no gênero no Brasil, tendo se generalizado a partir dos anos 40 por todo país, ao ser estabelecida a referida escola como escola padrão, à qual os demais estabelecimentos de ensino de enfermagem existentes no Brasil deveriam ser equiparados.

[2] No presente estudo, emprega-se o termo saber no sentido que lhe foi atribuído por Michel Foucault (1987) para diferenciar saber de ciência. Para ele, "A esse conjunto de elementos, formados de maneira regular por uma prática discursiva e indispensáveis à constituição de uma ciência, apesar de não se destinarem necessariamente a lhe dar lugar, pode-se chamar saber. Um saber é aquilo de que podemos falar em uma prática discursiva que se encontra assim especificada: o domínio constituído pelos diferentes objetos que irão constituir ou não um status científico ( o saber da psiquiatria no século XIX, não é a soma do que se acreditava fosse verdadeiro; é o conjunto das condutas, das singularidades, dos desvios de que se pode falar no discurso psiquiátrico); um saber é, também, o espaço em que o sujeito pode tomar posição para falar dos objetos de que se ocupa em seu discurso (neste sentido, o saber da medicina clínica é o conjunto das funções de observação, interrogação, decifração, registro, decisão, que podem ser exercidas pelo sujeito do discurso médico) (...)" (Foucault, 1987, p.206). (grifo no original)

CAPÍTULO I - A ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL: DA CONSTITUIÇÃO DA PSIQUIATRIA E DA ENFERMAGEM NO PAÍS À CONSOLIDAÇÃO DO MODELO ASSISTENCIAL ASILAR

I.1. Os Primórdios da Assistência Psiquiátrica no Brasil

Para iniciar esse tema toma-se o postulado de Roberto Machado (1978, p.375) de que

"a psiquiatria não é uma disciplina teórica e uma técnica terapêutica que sempre existiu. Um saber de tipo médico sobre a loucura que a considera como doença mental e uma prática com a finalidade de curá-la por um tratamento físico moral só se constituem em determinado momento da história."

Este momento foi a segunda metade do século XIX, no qual assistiu-se à estruturação da primeira instituição psiquiátrica brasileira, o Hospício de Pedro II, criado através do decreto n. 82 de 18 de julho de 1841 no Rio de Janeiro, mas inaugurado somente em 1852 , cuja pretensão seria proporcionar um tratamento médico à loucura, e não só sua simples exclusão social.

Todavia, tal finalidade não seria alcançada, até o final do século XIX, por dois motivos: em primeiro lugar porque antes de ser apreendida como objeto da prática médica, de meados do século XVIII à primeira metade do século XIX, a loucura era vista como um problema tipicamente social e, portanto, recebeu praticamente o mesmo tratamento dispensado pelas autoridades brasileiras aos demais grupos que representavam uma ameaça à ordem social dominante. Em segundo lugar, porque as condições econômicas, políticas e sociais a partir das quais atribuir-se-ia às instituições psiquiátricas a função de recuperação dos doentes mentais, proposta pelos alienistas, só estabelecer-se-iam no final do século XIX. E foi tão somente a existência destas condições que possibilitou também a institucionalização da enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no Brasil.

I.1.1. O contexto histórico que antecede a constituição das primeiras instituições psiquiátricas, da psiquiatria e da enfermagem psiquiátrica.

No Brasil, a loucura e o louco não representaram um problema para a medicina ou para o Estado até as três primeiras décadas do século XIX, quando então constituíram-se em objeto da prática médica e de intervenções estatais.

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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