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A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil Imprimir E-mail
Por Débora Isane Ratner Kirschbaum   
18 de outubro de 1996
Índice de Artigos
A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil
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inicialmente, mostravam-se receosos em relação à gravação de seus relatos, fato este que já fora previsto em função das dificuldades relacionadas ao uso de gravações em entrevistas, assinaladas anteriormente por Queiroz (1985) e Alberti (1989). Em geral, a gravação de cada depoimento durava, em média, de uma hora e meia a duas horas e meia, dependendo do entrevistado. Todas as entrevistas foram realizadas no período de janeiro de 1991 a fevereiro de 1993, pela própria pesquisadora.

Como instrumento, foi utilizado um Roteiro Geral de Entrevista, semi-estruturado, composto de perguntas abertas (Anexo 1). Estas abrangiam desde as motivações do entrevistado para ingressar no campo da assistência psiquiátrica, a visão que, na época, possuia sobre doença mental, o tipo de preparação que recebeu para trabalhar em psiquiatria, que tipo de participação tinha na implementação dos tratamentos, até as recordações que possuía sobre as formas de organização dos estabelecimentos em que atuara. Tais questões visavam a obtenção de informações que possibilitassem responder aos objetivos da pesquisa.

Com este intuito o roteiro foi organizado de forma a possibilitar relatos livres e associação de idéias; procurava-se também estabelecer com o entrevistado um clima de confiança para que ele se sentisse a vontade para expressar suas recordações, sua visão de mundo, seus pontos de vista. Enfim, com liberdade para avançar ou retroceder no relato de suas experiências, conforme julgasse necessário para esclarecer seu relato a respeito dos diferentes temas abordados. Portanto, a ordem em que as perguntas apresentavam-se no roteiro não era necessariamente seguida, embora se procurasse garantir que todos os temas fossem abordados.

A gravação destas entrevistas e sua posterior transcrição foi o que possibilitou a produção de fontes primárias para a realização desta pesquisa, através da transformação daqueles relatos em documentos escritos.

Após as entrevistas as gravações eram transcritas com o cuidado de reproduzir fielmente o relato como o entrevistado o fez. Neste sentido, as pausas, os gestos que acompanhavam a fala, os risos, o tom de voz que acompanhava cada expressão foram registrados através de notas no texto escrito, a fim de se resgatar o contexto subjacente ao relato, que tende a desaparecer na tranformação do relato oral num documento escrito.

Após a transcrição passou-se à análise dos depoimentos que consistiu primeiramente em uma leitura minuciosa realizada com o intuito de apreender cada relato em sua totalidade. A seguir, realizava-se o fichamento de cada depoimento por temas, tendo-se como referência os objetivos da pesquisa. Ou seja, num primeiro momento eram fichados todos os temas que emergiam do discurso do entrevistado. Depois, separavam-se os trechos de cada depoimento, relacionando-os com as questões do Roteiro de entrevista, que, por sua vez, correspondiam aos objetivos da pesquisa.

Numa etapa posterior, divididos pelos respectivos locais, estes depoimentos devidamente fichados eram submetidos a uma nova classificação. Nesta, os trechos de cada depoimento eram reunidos aos dos demais, sob um mesmo tema. Portanto, este processo possibilitava comparar as diferentes versões dos entrevistados sobre um mesmo tema. Procurava-se, então, distinguir semelhanças e diferenças entre as versões produzidas pelos diferentes entrevistados sobre um mesmo aspecto ou fato relatado.

Além disso, seguia-se a este momento de análise a complementação dos dados obtidos, procurando-se relacioná-los às demais fontes primárias escritas, obtidas na pesquisa documental. Neste sentido, muitas vezes as versões dos entrevistados complementavam os dados que faltavam naqueles documentos (por exemplo, regulamentos, relatórios, pronunciamentos de ex-diretores, etc.) ou vice-versa.

Desta forma, procurou-se reconstituir a história das práticas de enfermagem no campo da psiquiatria no período de 1920 até o final dos anos 50 no Brasil a partir das versões apresentadas pelos entrevistados e dos documentos das instituições.

Antes de passar aos capítulos subsequentes, há que se fazer ainda alguns esclarecimentos em relação à forma de apresentação dos depoimentos no corpo do texto. O primeiro é de que optou-se por manter na íntegra os trechos de depoimentos em que o entrevistado se referia a diferentes aspectos, pois o movimento de avanços e retrocessos a outros temas em um mesmo trecho permite apreender as relações que o próprio informante

estabelecia entre os diferentes temas abordados e que não necessariamente coincidiam com as relações que a autora estabelecia para desmembrar os trechos considerados significativos. Portanto, optou-se por este procedimento para evitar que se perdesse o contexto em que as afirmações eram feitas pelos entrevistados.

É necessário esclarecer também que, embora a maioria dos entrevistados não tenha apresentado objeções a divulgação de sua identificação, por razões éticas optou-se por utilizar somente as iniciais dos nomes dos informantes. Para distingui-los conforme a ocupação ou profissão que exercia no período em estudo foram utilizadas as seguintes abreviaturas:

  • Atend. Enf. - Atendente de Enfermagem
  • Aux. Enf. - Auxiliar de Enfermagem
  • Dr. - Médico
  • Enfa. - Enfermeira
  • Enfo. - Enfermeiro
  • Enfo. Prát. - Enfermeiro Prático
  • G. - Guarda
  • Vis. San. - Visitadora Sanitária
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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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