Desculpe, mas este site não é compatível com a versão do navegador que você está usando.

Por favor, atualize seu navegador.

Logo Firefox
Início arrow Cândido Escola arrow Teses arrow A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil
A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil Imprimir E-mail
Por Débora Isane Ratner Kirschbaum   
18 de outubro de 1996
Índice de Artigos
A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil
Página 2
Página 3
Página 4
Página 5
Página 6
Página 7
Página 8
Página 9
Página 10
Página 11
Página 12
Página 13
Página 14
Página 15
Página 16
Página 17
Página 18
Página 19
Página 20
Página 21
Página 22
Página 23
Página 24
Página 25
Página 26
Página 27
Página 28
Página 29
Página 30
Página 31
Página 32
Página 33
Página 34
Página 35
Página 36
Página 37
Página 38
Página 39
Página 40
Página 41
Página 42
Página 43
Página 44
Página 45
Página 46
Página 47
Página 48
Página 49
Página 50
Página 51
Página 52
Página 53
Página 54
Página 55
Página 56
Página 57
Página 58
Página 59
Página 60
Página 61
Página 62
Página 63
Página 64
Página 65
Página 66
Página 67
Página 68
Página 69
Página 70
Página 71
Página 72
Página 73
Página 74
Página 75
Página 76
Página 77
Página 78
Página 79
Página 80
Página 81
Página 82
Página 83
Página 84
Página 85
Página 86
Página 87
Página 88
Página 89
Página 90
Página 91
Página 92
Página 93
Página 94
Página 95
Página 96
Página 97
Página 98
Página 99
Página 100
Página 101
Página 102
Página 103
Página 104
Página 105
Página 106
Página 107
Página 108
Página 109
Página 110
Página 111
Página 112
Página 113
Página 114
Página 115
Página 116
Página 117
Página 118
Página 119
Página 120
Página 121
Página 122
Página 123
Página 124
Página 125
Página 126
Página 127
Página 128
Página 129
Página 130
Página 131
Página 132
Página 133
Página 134
Página 135
Página 136
Página 137
Página 138
Página 139
Página 140
Página 141
Página 142
Página 143
Página 144
Página 145
Página 146
Página 147
Página 148
Página 149
Página 150
Página 151
Página 152
Página 153
Página 154
Página 155
Página 156
Página 157
Página 158
Página 159
Página 160
Página 161
Página 162
Página 163
Página 164
Página 165
Página 166
Página 167
Página 168
Página 169
Página 170
Página 171
Página 172
Página 173
Página 174
Página 175
Página 176
Página 177
Página 178
Página 179
Página 180
Página 181
Página 182
Página 183
Página 184
Página 185

É interessante notar que os homens e as mulheres que trabalhavam no hospício vinham do mesmo grupo social que a maior parte dos indivíduos que a psiquiatria tomara como objeto, os homens livres. Por isso, o preconceito que recaía sobre aquele grupo social reproduzia-se também no interior da instituição, justificando o discurso dos alienistas e servindo de base às suas tentativas de normatizar também o comportamento dos agentes de enfermagem leigos que atuavam no hospício.

Sendo assim, as características pessoais e o comportamento dos trabalhadores de enfermagem que atuavam naquele estabelecimento efetivamente constituíram uma preocupação permanente para os psiquiatras, não só naquele período como também nas décadas subsequentes. Segundo Maria Aparecida Gussi (1987), já em 1866, Teixeira Brandão, então médico do Hospício, via nas características morais e na falta de preparo específico do pessoal de enfermagem que lá atuava, um grave problema para a transformação do hospício num espaço efetivamente terapêutico. Segundo ele dizia:

"(...) os doentes ficam entregues ao pessoal do serviço econômico e aos enfermeiros que não têm habilitação para notar as mudanças de sintomatologia , registrar os fatos dignos de observação, os fenômenos que poderiam esclarecer o juízo diagnóstico e mais particularidades assinaláveis." (Teixeira Brandão apud Gussi, 1987, p. 21)

Neste sentido, para os alienistas a transformação do Hospício num instrumento de cura e a implementação do tratamento moral demandaria a transformação das práticas e dos agentes de enfermagem, a quem se atribuíra o cuidado direto do doente mental. Tratava-se de preparar a enfermagem para assistir aos alienados de forma sistemática e baseada em princípios médicos. O enfermeiro(a) [9] precisava ser treinado para observar o que havia de relevante para a realização do tratamento moral, entendendo a alienação como doença e não como instrumento para salvação da alma. Na medida em que passava-se de uma concepção de "doença" da alma para "doença" do corpo, isto implicava na presença de um trabalhador que se voltasse para o corpo. Neste sentido, já no último quartel do século XIX, dizia o diretor do hospício:

"Quanto prosperaria o hospício se em vez de ser, como é, uma anomalia hospitalar, fosse uma casa de tratamento de alienados, onde o serviço sanitário emergisse com o brilho da nossa missão profissional e com a serenidade augusta da abnegação feminina? "( Teixeira Brandão apud Machado, 1978, p.468)

Segundo Gussi (1987), a partir dos anos 80, a disputa entre os médicos e as religiosas acirrou-se, transformando-se num conflito político, que transpos os muros do Hospício, ao articular-se aos confrontos da natureza político-ideológica, particularmente a luta entre o poder do Estado e o poder da Igreja, entre a moral laica e a moral religiosa, que perpassavam a sociedade da época (Basbaum, 1982). A expulsão das irmãs de caridade daquele estabelecimento no ano de 1890 acarretou a falência administrativa da instituição.

Com isso, criaram-se as condições para que a via formal de preparação do pessoal de enfermagem fosse adotada, através da criação da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras do Hospício Nacional de Alienados, que serão analisadas no próximo tópico.

Nos demais asilos brasileiros, criados na segunda metade do século XIX, a situação encontrada pelos seus primeiros alienistas não seria muito diferente da que se apresentava no Rio de Janeiro. Guardadas as especificidades locais, em todos eles, os alienistas empreenderam uma intensa movimentação no sentido de subordinar os demais agentes e concentrar em suas mãos a direção administrativa e técnica dos estabelecimentos, que, segundo eles, tornava-se uma condição imprescindível para que pudessem implementar o tratamento moral.

Conforme relata Paulo Fraletti (1987), em São Paulo, o Asilo Provisório de Alienados foi inaugurado em 1852. A finalidade inicial do asilo paulista foi somente de abrigar e proteger os insanos que então vagavam pelas ruas sem nenhuma assistência, ou eram encarcerados em suas próprias casas ou nas prisões. No asilo, os alienados não eram submetidos a qualquer tratamento psiquiátrico e quando adoeciam fisicamente eram atendidos pelos cirurgiões da Santa Casa de Misericórdia. Conforme Cunha (1986), o cuidado aos doentes ficava entregue a empregados desqualificados, na maioria negros libertos e ex-presidiários, que recebiam remuneração baixíssima e constantemente ameaçavam abandonar coletivamente o trabalho.

Da mesma forma que ocorrera no Hospício de Pedro II, dez anos após a inauguração, as instalações do asilo paulista já haviam se tornado insuficientes para abrigar o número de alienados que ali se encontravam. Estes foram transferidos para uma chácara na Várzea do Carmo, em 1862, que alguns anos depois apresentou novamente problemas de superlotação (Fraletti, 1987; Cunha, 1986).

Segundo Urquiza (1991), nos primeiros quarenta anos, a direção administrativa do Asilo de São Paulo foi atribuída pelo presidente da província a pessoas leigas em medicina. Mas, embora não fossem médicos, em relatórios que enviavam ao governo da província, os diversos administradores criticaram as condições em que viviam os insanos naquele estabelecimento. Conforme diziam, o hospício fora abandonado pelas autoridades governamentais, que não lhe destinavam verbas, o que fazia do asilo um lugar de recolhimento dos insanos. Estes lá permaneciam sem receber tratamento apropriado, vigiados por guardas .

64,65


Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
Últimas Notícias
Entrar / Sair





Esqueceu sua senha?
Sem conta? Crie uma
Fique ligado!

Assine nossos canais:

Leitores
SGD POWERED
X
<
>