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A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil Imprimir E-mail
Por Débora Isane Ratner Kirschbaum   
18 de outubro de 1996
Índice de Artigos
A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil
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Neste sentido, um aspecto que contribuiu para a valorização social da escola foi a composição do seu corpo docente. No regulamento da escola, aprovado em 1939, estabeleceu-se que a direção da mesma competia ao diretor do Hospital São Pedro e que a regência das disciplinas era de competência dos médicos do próprio hospital, designados pelo Diretor do Departamento Estadual de Saúde. Como mostram os depoimentos fornecidos por dois de seus primeiros professores, afora a intervenção na assistência, os médicos do hospital tiveram um importante envolvimento nas atividades docentes e assumiram integralmente a responsabilidade pelo ensino de enfermagem ministrado na escola. A seguir, eles expõem a participação que tiveram na criação deste estabelecimento e a contribuição que, segundo julgam, ele teve para o aprimoramento da assistência psiquiátrica oferecida naquele hospital:

"Bem, a minha outra iniciativa (além da criação da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal) foi a fundação da Escola de Enfermagem. Acho que foi fundada em 1938. Ela funcionou em 39, 40, 41, 42,...(...) A nossa (escola), que eu me lembro que teve muita eficiência naqueles anos...Foi uma pena só isso (de duração), pois foi um momento de glória do Hospital São Pedro, ter vivido assim com tanto vigor.(...). Eu era professor de Anatomia." (Dr. C.M., p. 5)

"O Dr. Godoy criou uma Escola de Enfermagem para formar enfermeiros dedicados à psiquiatria e, num momento lá, faltou um professor. Então, eu fui colocado como um dos professores em relação à venóclise elementar, certos procedimentos que o enfermeiro deveria saber manejar. Então, digamos assim, que eles deveriam saber a introdução da enfermagem de medicina interna dentro da formação psiquiátrica. E, como a senhora disse, eu fui homenageado por uma turma. E eu gostava, sempre gostei muito de lecionar, gostava do ambiente." (Dr. R.M., p. 11)

Nestes depoimentos, é interessante observar que um dos médicos equipara a criação da escola à constituição da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, sugerindo a importância que atribuía à primeira, enquanto o outro enfatiza a especificidade do curso e a preocupação em integrar o ensino de psiquiatria ao de medicina geral. Não há dúvida que o prestígio e o reconhecimento social que estes médicos possuíam na coletividade porto-alegrense transferiu-se para a escola, o que explica o status a ela conferido pelos entrevistados.

Por outro lado, nota-se que a maioria dos entrevistados atribui a criação da escola à iniciativa pessoal do diretor do Hospital São Pedro, Jacinto Godoy, ressaltando a preocupação do mesmo com a formação de enfermeiros para atuar especificamente no campo da assistência psiquiátrica. Sem dúvida, como diretor, Godoy teve um papel importante não só no processo de organização da escola, mas também para garantir o êxito deste empreendimento. E, para tanto, parece ter contribuído não só o envolvimento dos médicos com as atividades da escola, mas principalmente a sintonia existente entre os diretores do Hospital São Pedro e do Departamento Estadual de Saúde.

Neste sentido, observa-se que, no período imediatamente anterior a inauguração da Escola Profissional de Enfermagem Especializada, além de obter as condições legais mencionadas, o diretor do Serviço de Assistência a Psicopatas tomou também providências de caráter prático para garantir seu funcionamento efetivo e a valorização de seus diplomados. Dentre elas, adotou um conjunto de medidas que visavam estimular o interesse dos funcionários em adquirir uma qualificação e capacitá-los para preencherem os requisitos necessários ao ingresso na escola, relativos ao grau de instrução.

A adoção de mecanismos de caráter administrativo foram as primeiras medidas tomadas no sentido de obter o envolvimento dos funcionários com a escola e de garantir que a sua criação viabilizasse a qualificação do pessoal de enfermagem do Hospital. Estes consistiam em melhorias financeiras e na adoção de um quadro de carreira para a enfermagem, no qual apenas os enfermeiros diplomados pela escola teriam direito às promoções. Conforme argumentava a direção do hospital (Godoy, 1952), somente através de tais medidas conseguir-se-ia estimular a demanda dos funcionários por qualificação profissional e, consequentemente, pelo ingresso na escola, uma vez que os baixos salários pagos ao pessoal de enfermagem e a inexistência de possibilidades de ascenção na carreira não provocava o interesse dos mesmos em adquirir um preparo formal. A eficácia produzida por estas medidas foi analisada, em discurso proferido na ocasião da abertura do ano letivo de 1942, pelo então Diretor do Hospital, da seguinte forma:

"É um ato de justiça declarar, de público, que se deve ao operoso Govêrno do Gal. Oswaldo Cordeiro de Farias a existência desta Escola, pois a reforma de 13 de abril de 1938, majorou de 50% os vencimentos dos auxiliares do serviço técnico, estabelecendo a hierarquia enfermeiral em classes, criando uma verdadeira carreira, despertando o interêsse por uma profissão, a que outrora só concorriam, em sua maioria, os desajustados de outras profissões, os sem-ofício e, finalmente, os instáveis do trabalho, que não têm estabilidade em nenhuma ocupação fixa."(Godoy, 1952, p.166) .

Segundo esclarece um entrevistado, de fato, o estímulo da Direção do Hospital, através da concessão de vantagens aos empregados que concluíssem o curso, incentivou a procura pela formação escolar entre os funcionários. Como vê-se abaixo:

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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