Cândido Escola
Teses
A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil | A trajetória histórica das práticas de enfermagem no campo da assistência psiquiátrica no brasil |
|
|
| Por Débora Isane Ratner Kirschbaum | |
| 18 de outubro de 1996 | |
|
Página 8 de 185
Além disto, o emprego da história oral oferecia condições para compreender o contexto e as relações sociais que serviram como pano de fundo para a constituição daquela categoria profissional e das formas assumidas pela organização de seu trabalho e de transmissão daquele saber, através da comparação das diferentes versões oferecidas pelos diversos entrevistados e da identificação das mudanças ocorridas naquelas práticas, apreendidas a partir do movimento de idas e vindas presente no discurso dos entrevistados. Cabe, agora, expor os procedimentos metodológicos utilizados para a realização do presente estudo. 2. As Etapas da PesquisaA discussão dos procedimentos metodológicos utilizados neste trabalho envolve algumas considerações sobre o processo que culminou na delimitação do objeto de estudo e na decorrente definição dos sujeitos desta pesquisa. Num momento inicial, visando uma primeira aproximação do objeto de estudo, iniciou-se a investigação nas primeiras instituições de ensino de enfermagem criadas no Brasil, segundo a bibliografia especializada: a Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, fundada em 1890 , e a Escola de Enfermagem Anna Néry, em 1923. Para facilitar o acesso às fontes de pesquisa, foi realizado um contato prévio com a Direção de cada estabelecimento, solicitando-lhe autorização para realizar a investigação nos arquivos da escola. No período de janeiro de 1991 a outubro de 1992, foram feitos os contatos com os diretores de todos os estabelecimentos psiquiátricos e de ensino citados acima. Este primeiro contato era realizado através de ligações telefônicas e por uma carta de apresentação, onde se esclarecia detalhadamente os objetivos da pesquisa. Uma vez autorizada a consulta aos arquivos das instituições, a pesquisadora se deslocava até os estabelecimentos psiquiátricos e de ensino e dava-se início à pesquisa de campo. Esta consistia no levantamento de documentos pertencentes ao acervo (quando existia) da instituição e num levantamento de nomes e endereços de antigos funcionários, médicos ou da enfermagem, no Departamento de Pessoal. Quando este levantamento era prejudicado pela má conservação dos arquivos ou pelo extravio de fichas, o que ocorreu com bastante frequência, recorria-se aos funcionários mais antigos em exercício na instituição. Estes forneciam os nomes e endereços de ex-funcionários, aposentados, cujas características preenchiam os critérios definidos para seleção dos sujeitos da pesquisa, que eram os seguintes:
Assim, foram localizados um total de cinqüenta e sete informantes, dos quais oito não forneceram depoimentos gravados. Destes, três recusaram-se a participar da pesquisa, dois alegaram problemas de saúde que os impediam de participar da entrevista, dois alegaram que por motivo de viagem não poderiam fornecer o depoimento e um recusou-se a gravar seu depoimento, apesar de ter concordado em ser entrevistado. Houve, ainda, o caso de um informante, cuja entrevista foi gravada, mas não foi incluída porque o entrevistado apresentava problemas de saúdeque acarretava dano a memória. É preciso também esclarecer que, embora o período delimitado fosse da década de 1920 até o final dos anos 50, entrevistou-se uma enfermeira de Porto Alegre, uma de Salvador e outra de Barbacena, que ingressaram no campo da psiquiatria no final dos anos 60. Seus depoimentos foram incluídos na pesquisa pelo fato de terem sido pioneiras nos serviços em que atuaram e por possuírem muitas informações sobre a história da assistência psiquiátrica em seus estados. . Portanto, ao final da pesquisa de campo, contou-se com um total de quarenta e nove depoimentos gravados. As entrevistas eram previamente marcadas com o entrevistado através de contato telefônico, ou com algum familiar ou amigo do mesmo, caso não possuísse telefone, realizado pela própria pesquisadora. Feito o contato, esta dirigia-se à casa ou ao antigo local de trabalho do entrevistado e lá eram realizadas as gravações das entrevistas. Todas elas eram gravadas em fitas k-7, mediante autorização prévia do entrevistado. As gravações eram sempre precedidas por um período de conversação, em que novamente eram esclarecidos os objetivos da pesquisa, os temas que seriam abordados na entrevista e a necessidade de realizar a gravação, de forma a transformar o depoimento num documento escrito. Este ponto precisava ser freqüentemente enfatizado, já que vários dos informantes, 64,65
|
|
| Última Atualização ( 23 de junho de 2008 ) |
| Menu Principal |
|---|
| Busca interna |
|---|



