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O desafio da mudança na Farmácia do "Cândido" Imprimir E-mail
Por Willians Valentini, Nobusou Oki, José Ângelo Friestino   
12 de março de 2003
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O desafio da mudança na Farmácia do "Cândido"
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Capítulo à parte foram as várias tentativas de informatização para aprimorar o trabalho que se desenvolvia no setor. Inicialmente usou-se um sistema de gestão de estoque que já vinha sendo utilizado no Almoxarifado Geral do Sanatório. Mesmo com todas as dificuldades evidenciadas em seu uso, já que com o passar do tempo se constatou a incompatibilidade entre o que se desenvolvia no almoxarifado geral e o que se projetava para a farmácia, o uso do programa persistiu por 3 longos anos. Durante esse tempo foram desenvolvidas duas novas tentativas de invenção de um programa que levasse em conta todas as características e necessidades do trabalho desenvolvido na Farmácia. Nesse tempo, os preços dos programas disponíveis e as peculiaridades do processo em curso na farmácia contribuíam para que se tentasse resolver os problemas com soluções inventadas in loco. Tão logo o novo programa se mostrou viável, novo salto de qualidade ocorreu. O Sistema controlava individualmente todas as prescrições, liberando etiquetas de preparação e checagem, horário a horário, o que permitia um cômodo trabalho de co- administração com as equipes de enfermagem. O sistema fazia ainda todo o controle de entradas e as saídas se processavam automaticamente uma vez informada a duração do tratamento. Esse programa permitia também a emissão de inúmeros relatórios, que levavam muitas informações de interesse para os vários setores. O Programa não conseguiu, entretanto, incluir as Atividades de Farmacovigilância e as incompatibilidades prescritivas, o que dependeria do desenvolvimento de algumas consensus conferences para se criar os parâmetros que, ao serem utilizados, pudessem apontar as incompatibilidades prescritivas. Isso poderia contribuir para uma observação minuciosa das prescrições médicas que passariam por um crivo a ser adotado pelo serviço que funcionaria como um Evento Sentinela. Para uma fase seguinte, ficou também a entrada em operação do Livro Automático. Segundo as portarias da Vigilância Sanitária, toda movimentação no estoque de produtos psicotrópicos devem ser anotadas num livro específico. Levando-se em consideração o volume de uso desse tipo de substâncias num serviço psiquiátrico pode- se imaginar o tempo que se dispende em tal tarefa. Assim, a automatização de tal rotina representaria enorme avanço, impedindo que se procedessem re-trabalhos. No entanto, os esforços não foram suficientes e após algum tempo de uso o profissional de informática responsável pela invenção do Programa se demitiu, as prioridades nesse tempo tiveram mudanças e qualquer alteração ou acréscimo ao que durante anos fora desenvolvido tornou-se impraticável. A continuação do uso do programa, com toda a peculiaridade e detalhamento que conseguia ter, também pela falta da manutenção necessária, mostrou-se inviável.

Dentro desse contexto, iniciou-se há dois anos a implantação e aperfeiçoamento de novo Sistema Informatizado, hoje em uso no Serviço, mas que ainda se apresenta necessitando de adequação e desenvolvimento para atingir os objetivos que se almeja na Farmácia. A transformação do modelo assistencial que se operou no "Cândido Ferreira" gerou seguramente repercussões na quantidade e na especificidade dos medicamentos utilizados. Isso ainda não foi devidamente estudado. Há muitas possibilidades de construção de linhas de leitura e de construção de esclarecimento no que concerne ao ítem prescrição farmacológica no processo alterativo em curso no Cândido.

Hoje a Farmácia da Instituição funciona das 7:00 às 19:00 hs. inclusive aos sábados e domingos, opera seu trabalho contando com cinco profissionais, atende a demanda de todos os pacientes que procuram e são acompanhados pelo Serviço, bem como dos moradores das vinte casas situadas na cidade e dos usuários do CAPS Estação, situado no bairro Centro da cidade. A maior parte dos medicamentos dispensados é liberada diretamente aos pacientes. Muitos deles se encarregam de tomar o medicamento que faz parte de seu projeto terapêutico. O desafio dos tempos de agora, primeiro ano do vigésimo primeiro século, é o de preparar dentro do Sistema de Dosagem Individualizada, até mesmo os medicamentos utilizados pelos pacientes que necessitam de cuidados de tipo ambulatorial. È promover a garantia de respeito ao direito ao acesso aos medicamentos para todos os que deles necessitam e que se tratam no sistema público de saúde mental da cidade de Campinas.

O que aprendemos no processo de tranformação de nossa pequena Farmácia, vamos disponibilizar para o processo de criação dos novos serviços de saúde mental que estão sendo criados no Sistema Único de Saúde de Campinas. Isso encontra coerência no desenvolvimento dos princípios que orientam a Reforma Psiquiátrica em curso no país, que nos coloca como perseguidores sempre, dos melhores níveis de excelência nos cuidados que o SUS deve oferecer aos doentes mentais brasileiros.

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Última Atualização ( 22 de junho de 2008 )
 
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