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O desafio da mudança na Farmácia do "Cândido" | O desafio da mudança na Farmácia do "Cândido" |
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| Por Willians Valentini, Nobusou Oki, José Ângelo Friestino | ||||
| 12 de março de 2003 | ||||
Página 1 de 2 A Farmácia do Sanatório no início da co-gestão com a Prefeitura Municipal, funcionava muito mais como um almoxarifado de medicamentos e materiais que só atendia os dois setores onde se operavam os tratamentos: as enfermarias masculina e feminina. Para se ter uma idéia, essa situação de almoxarifado não permitia contato do setor com as prescrições feitas pelos médicos. Estes as emitiam no interior das duas unidades e o ato de preparação e ministração dos medicamentos era feito pelos atendentes de enfermagem. Essa situação contava com o trabalho de um profissional farmacêutico, em regime de vinte horas semanais. O principal objetivo dessa farmácia funcionandos nesses moldes era o de abastecer os estoques de medicamentos das alas masculina e feminina. Esse modo de se trabalhar o componente oferta de medicamentos presente nos tratamentos psiquiátricos, evidentemente, ocupava atendentes e auxiliares de enfermagem com tarefas que lhes tomava tempo de trabalho que poderia ser oferecido - racionalmente - para o cuidado direto com os pacientes. O modo como o trabalho estava organizado apresentava inegavelmente uma distorção de funções. Havia, seguramente nesse momento, enorme potencial produtivo ainda inutilizado na Farmácia e em todo o ambiente Sanatório. No caso específico da farmácia, as ações principais eram as de comprar e liberar lotes de medicamentos e de material para as enfermarias, realizar lançamentos contábeis e lançamentos das receitas nos Livros de Produtos Controlados, conforme legislação vigente. Já nessa época se defendia a idéia de que o local adequado para a preparação de todo insumo farmacêutico a ser utilizado pelos usuários era o que poderia vir a ser uma Fármacia. Esta deveria ter uma missão definida, complementando o processo de qualificação assistencial que se iniciava e que traria uma especificação no ítem dispensação de medicamentos e não sòmente isso, mas que funcionasse também como um campo de observação sobre as diversas culturas prescritivas presentes no serviço e auxiliasse na educação para uma utilização racional dos psicofármacos. A realidade assistencial que foi experimentada antes do início da co-gestão apontava para a impossibilidade de se desenvolver alternativas que promovessem o crescimento dos potenciais presentes no serviço. A realidade econômico financeira era responsável por um pessimismo geral, fosse no Sanatório, como na cidade e no país. A chegada dos novos Gestores trouxe a disposição de transformar a assistência que era oferecida, e com essa disposição foram trazidos também recursos para fazê-lo, tanto recursos humanos quanto recursos financeiros. Naquele momento, o Sistema Único de Saúde vivia o início de sua implementação, e as prerrogativas de cidadania anunciadas pela Constituição também eram vistas como uma novidade. Decidiu-se então, oferecer aos usuários, um processo de reforma do atendimento psiquiátrico que previa, entre outras coisas, a garantia de fornecimento de medicamentos em horários compatíveis com as prescrições e que respeitassem os melhores princípios da psicofarmacologia, com ênfase na melhoria da qualidade de vida dos portadores de transtornos mentais. Além disso, previa-se também, adotar normas de dispensação e de prescrição que garantissem a qualidade dos tratamentos e dos próprios fármacos, ampliando-se inclusive a disponibilidade das várias classes terapêuticas. Pretendia-se no início do processo realizar algumas ações de farmacovigilância que permitissem caracterizar qualquer impropriedade prescritiva. Todos os recursos necessários iniciais foram utilizados para adequar a Farmácia para executar este trabalho. No início do processo, optou-se como princípio de trabalho, pela adoção de um Sistema de Dosagem Individualizada Parcial, onde apenas os produtos tópicos e as formas líquidas, permaneceriam disponíveis nas enfermarias. Apesar das inúmeras dificuldades técnicas e da excessiva velocidade em que a transformação se processou, o salto de qualidade foi notório: rapidamente melhoraram os controles de estoque, com conseqüente economia, o medicamento passou a chegar ao paciente com mais precisão e já se puderam iniciar as primeiras observações quanto as características prescritivas predominantes dentro da Instituição. Louve-se aqui o empenho de todos os profissionais envolvidos na operação, tanto os que haviam chegado há pouco tempo quanto os que permaneciam trabalhando há longos anos no Sanatório. Houve, em torno dos objetivos a serem atingidos, consenso, o que facilitou a execução da tarefa. Foi um período em que se cometeram muitos erros, presentes na maioria dos processos de transformação. Os acertos, resultado das revisões de atitudes, posturas, métodos, tecnologias, etc. vieram com a paciência de enfrentar os obstáculos sem desistir ou desanimar. Nesse tempo, orientou o processo uma filosofia baseada em se pensar o cuidado e a assistência colocando-se no centro da concepção dos projetos de tratamento o paciente com as suas características individuais, suas especificidades, suas qualidades, suas dificuldades, sua forma de se relacionar. Isso norteia até hoje o modo de fazer na Farmácia. 60,61
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| Última Atualização ( 22 de junho de 2008 ) | ||||
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