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O salto para um mundo a construir Imprimir E-mail
Por Diversos Autores   
01 de janeiro de 2001
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O salto para um mundo a construir
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Um corpo estável, de usuários - trabalhadores, sustenta a idéia e o sonho de agenciar a convivência tão escondida, perdida ou até esquecida em nossa sociedade atual. O nosso corpo estável também é de dança, de riso, de música, de pintura, de teatro, de mídia (falada, filmada e escrita), de gente para as quais a loucura - vivida ou cuidada - proporcionou recuperar a crença na convivência saudável e solidária entre os humanos.

O COMEÇO DA HISTÓRIA...

Acreditamos que a discussão sobre a criação de um Centro de Convivência, no Cândido ocorre há muito tempo. Essa discussão teve as mais diversas maneiras e entendimentos até divergentes: as vezes como uma maneira de ocupar tempo, outras para atender o "sem perfil" para os serviços, pois sempre vinha à tona quando algum projeto individual não atendia a expectativa da equipe... e o Centro de Convivência aparecia como lugar necessário para "salvar" esses casos que não se adequavam... ou salvar a equipe!?

Conseqüência do processo de desospitalização, uma ala de pacientes que moravam no hospital, há anos, foi desativada. Surge um espaço ainda cheio de portões, grades, armários mal conservados e era a ala mais distante do conjunto de edificações do SSCF. Inicialmente, pareceu-nos ser necessário ocupar aquele espaço. Depois começamos a nos preocupar: embora tivesse um acordo sobre a reconstrução do espaço por todos e com um novo sentido de não apenas substituir um pelo outro, na prática parecia mesmo disputa de espaço físico. Como se devêssemos "marcar território". Como sair das duas situações difíceis: a dos técnicos com a tomada do território e dos usuários que julgavam o lugar "muito longe". Uma equipe primeira de técnicos e aprimoranda, com supervisão[1] foi essencial para o processo: estratégias de construção do Centro de Convivência para todos usuários, técnicos e comunidades externa ao SSCF. Com o mapa do prédio, os artistas, os pedreiros, técnicos de saúde e supervisão: muitas cabeças pensantes e muita soma de saber/fazer.

Em 1997, então o SSCF reuniu seus artistas e suas artes, biblioteca, espaço de vídeo, rádio, jornal, assessoria de imprensa, estágios (com seus estagiários e supervisores), voluntariado num Centro de Convivência para a busca de maior interação com a comunidade local - escolas, CS, ONGs, vizinhança, comércio, etc.. O objetivo de tudo era promover uma troca de saberes, não apenas os formais reconhecidos, mas aqueles desconhecidos do público, que a vontade individual sustenta: a comida que um inventa, as invenções com os retalhos das roupas da família, o bico de crochê que outro faz frente a TV, aquela sucata que se reaproveita em lindos presentes para épocas distintas, a viagem que se pode fazer juntos e mais barata, e assim aconteceu...

Em sua proposta inicial mostrava sua visão do "conjunto de projetos na área cultural, social, educativa, de aprendizagem e de lazer que não coloca em jogo nenhum procedimento terapêutico tradicional, mas articula o terapêutico com a vida social cotidiana". (arquivos/1997)

O Centro de Convivência reúne o Atelier Espaço-8 (pintura, moldura e costura), um espaço cênico (música, teatro e programa de rádio), o Clube dos Saberes (oficinas de cestaria, costura, computação e o que mais vier...), o Jornal Candura, a Biblioteca, Salão de Beleza, Agência de Turismo, Núcleo da Luta Antimanicomial e principalmente, nossa disposição em contribuir e crescer com as pessoas e espaços de inclusão (rodas sobre violência, população de rua - com outras entidades e secretarias do município -, roda de oratória e sobre a reforma psiquiátrica com vários municípios da região de Campinas e mais além).

AS ARTES PLÁSTICAS

O Espaço-8 é o primogênito e o mais rebelde dos filhos do Centro de Convivência: ARTE e não arte terapia! Resiste a todos os estágios de psiquiatria, psicologia e terapia ocupacional que queiram com a interpretação terapêutica mudar o sentido da criação artística. Tem mantido o campo de estágio para os cursos de Artes Plásticas, Designer e Arquitetura. Constituiu-se o que podemos chamar de um corpo estável de artistas, em número de 12 e não está fechado para novos. Além de acumularem prêmios, exposições coletivas e individuais, reconhecimento em universidades, os artistas do Atelier têm participado do mercado alternativo: feira de artes e artesanatos da cidade, Mercado Mundo Mix de SP, encontros e congressos universitários.

Neste ano, o Espaço-8 fez oito anos de existência e conseguiu a participação total do artista no processo de realização, do fazer, na criação das artes plásticas (pintura, colagens e escultura) com todos seus componentes essenciais: croqui, estamparia, costura, molduras. Para isto desenvolveu ramificações com o Atelier de Molduras e Atelier de Costura, que cresceram mostrando não serem apenas componentes, mas também arte. Essa situação acontece não por dificuldades em alcançar o mercado que aí está ( no qual se disputa e se dispõe de "qualidades" de produtos e componentes da arte), mas para nós é uma conquista. Encaramos assim à aproximação maior de uma sociedade onde o espaço da arte, da poesia, da sensibilidade tenham lugar assegurado, ou seja uma sociedade onde João Jordão, um de nossos artistas possa continuar dizendo e sendo entendido: "eu não sei não...eu escrevo o invisível." Ou a L' Estaque, outra artista - dos pincéis, da costura e da escrita -, possa reafirmar:

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Última Atualização ( 22 de junho de 2008 )
 
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