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Nenhum ser humano será bonsai | Nenhum ser humano será bonsai |
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| Por Willians Valentini | ||||||||
| 05 de julho de 2001 | ||||||||
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Além disso, o espaço oferece ainda múltiplas oportunidades para moradores da comunidade frequentarem cursos de culinária, de cabeleireiro, de capoeira, ginástica rítmica, festas, etc. O Cândido oferece à comunidade soluções para problemas detectados no contexto e que propiciam aos pacientes oportunidades de convivência. Quarenta e duas profissionais das áreas - meio Serviço de Alimentação e Nutrição (SAN) e Serviço de Higienização do Serviço de Saúde vêm desenvolvendo parte do seu processo de trabalho acompanhando pacientes que hoje moram nas casas na comunidade. Compete a essas trabalhadoras ajudar os moradores das casas a se habilitar no cuidado com a situação casa. Assim, elas ajudam nos afazeres, auxiliam nos cuidados e apóiam iniciativas de aprendizado de cozinha e de culinária. Desenvolvem quinzenalmente atividades dirigidas a trocar as aprendizagens que acumulam no processo de trocas com os moradores. Estão desenvolvendo uma nova identidade, que inclui no seu fazer o aspecto de dedicação ao cuidado com os pacientes. As inúmeras situações de adversidades enfrentadas pelo projeto de transformação do Cândido durante os últimos oito anos no tocante às dificuldades de implementação de uma rede de atenção situada no bairro onde moram os usuários doentes mentais, fez com que se concentrassem em Sousas muitas iniciativas que, em outras circunstâncias poderiam ser desenvolvidas fora do espaço do antigo Hospital Psiquiátrico. A concentração de projetos terapêuticos e de recursos humanos existentes em Sousas, que compõem o que se chama "Cândido", vem sofrendo modificações. Trabalha-se hoje para a montagem de uma rede de serviços equilibrada, de forma a fazer chegar o cuidado em áreas da cidade que não contam com serviços de saúde mental. Isso é possível através do aprimoramento da relação de co-gestão dentro dos mesmos pressupostos que orientam o SUS, compartilhados tanto pelos profissionais do Cândido quanto pela área técnica de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde. Todos os trabalhadores do Serviço de Saúde vêm sendo convidados a experimentar o desafio da desconcentração e construção de novas situações na rede municipal. E as regras básicas são: oferece-se para compor as equipes dos novos serviços aqueles que têm vontade de experimentar novas situações de cuidados e que vislumbram que, mudando de local de trabalho terão sua vida melhorada. Se o número de profissionais for maior do que o número de vagas para compor o serviço novo, faz-se uma seleção. Se não, cria-se então um novo time para iniciar o enfrentamento dos obstáculos nas situações novas acordadas. Mas como se montam as regras? Através do diálogo propiciado por encontros democratizados nas rodas paulofreirianas. E se há necessidade de se rever algo que não ficou muito claro? Nova roda para se renegociar, mais democracia com a tomada conjunta de decisão. Pode-se ousar dizer que o Cândido hoje é uma escola. Escola de negociação, de respeito, de esperança e de confiança. O respeito, a esperança, a confiança e a negociação permanente podem ser experimentados em qualquer lugar. Valorizar e cuidar das palavras, dos sentimentos e das atitudes para a transformação permite fazer com que não se instale o desânimo e que não se sinta só no enfrentamento dos obstáculos. Basaglia sabia o que propunha quando criou os dois slogans do processo de transformação italiano: "a liberdade é terapêutica" e "contra o pessimismo da razão, o otimismo da prática". Educar para a convivência, bem sabia Basaglia, é desafio para otimistas. Senhores pessimistas, com licença. E...todos para a frente, que atrás vem gente. Mais civilização, sempre. Para o bem de todos. [1] O cultivo dos bonsais, originário no Japão, cumpre ritos e tem significados próprios naquele contexto cultural. No presente artigo, a referência ao bonsai não passa de um empréstimo para um exercício de comparação que pode nos ajudar a compreender uma pequena parte dos processos humanos que trabalham contra o crescimento individual e coletivo. [2] O modelo do dano é o nome dado à forma clássica de se operar conferindo aos obstáculos muito maior força e importância do que nossa capacidade de enfrentá-los. Trabalhar no modelo do dano significa justificar com muita competência o que e porque não é possível enfrentar obstáculos quando estes surgem. [3] O Sanatório foi construído em Sousas, Campinas, na segunda década do século XX. É a primeira instituição filantrópica encarregada de oferecer cuidados a doentes mentais no estado de São Paulo. [4] Havia entre os moradores, casais que tentavam se encontrar e namorar uma vez por mês, vigiados nos incríveis bailes das duas da tarde em que se comemora o aniversário de todos os que nasceram naquele mês), 54,55 |
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| Última Atualização ( 22 de junho de 2008 ) | ||||||||
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