Comunicação
Artigos
Núcleo De Oficinas De Trabalho | Núcleo De Oficinas De Trabalho |
|
|
| Por Ana Carla P. Domitti, Mª Eugênia Carvalho Carnevalli, Valéria A. dos Santos Bianchini | |||||
| 01 de janeiro de 2001 | |||||
Página 3 de 3
O processo de trabalho inicia-se no sujeito, com sua expectativa em relação à necessidade de ocupação e gratificação. Aos poucos o sujeito vai percebendo que para satisfazer as suas necessidades, é necessário conviver e se relacionar de acordo com as regras e /ou combinados estabelecido sempre pelo grupo/roda. No cumprimento e desenvolvimento das tarefas deixam de ser um amontoado de indivíduos, assumindo-se enquanto participante de um grupo com objetivo comum. Isto significa também que cada participante tem competência para exercitar a fala, sua opinião, defendendo seu ponto de vista. Portanto, descobrindo que mesmo tendo objetivo comum enquanto grupo, cada participante, mantém uma singularidade própria. De qualquer forma ,cada um imprime uma marca pessoal no produto a ser feito coletivamente possibilitando inclusive o recebimento de uma "bolsa oficina" como resultado da produção e venda dos produtos, que é dividido entre os participantes de acordo com a avaliação de desempenho. Essa avaliação é feita pelo coordenador mais o monitor e grupo de usuários durante o mês, considerando-se os critérios como assiduidade, pontualidade, responsabilidade, iniciativa, higiene pessoal, relação com o grupo e desempenho na tarefa específica. Entendendo a saúde dentro de um processo histórico onde ocorrem mudanças na visão de indivíduo e nos conceitos de tratamento, a Saúde Mental vem avançando suas discussões e repensando as formas de atenção ao usuário. Na construção da assistência de maneira global, o projeto N.O.T. tem um papel relevante na busca de respostas para questões relativas ao mundo do trabalho - questões que nos são trazidas cotidianamente pelos usuários. Tem a finalidade de propiciar a integração na comunidade e criar espaços de trabalho que possibilitem ao usuário perceber-se enquanto indivíduo social, reconstruindo sua identidade e melhorando sua qualidade de vida. Observamos que grande parte de nossa clientela foi submetida a longas internações psiquiátricas, sofrendo o preconceito em relação a doença mental, muitas vezes com isolamento social, perdendo o vínculo com o trabalho e sentindo-se incapazes de retomar a atividade profissional desempenhada anteriormente ou de iniciar outra. Por estas e outras razões ocorre um prejuízo no convívio social e acabam por viver na dependência financeira de familiares ou do Estado. Através do trabalho do N.O.T. uma nova cultura de relações é estabelecida, propiciando a reconstituição da subjetividade do indivíduo, ampliando e diversificando as possibilidades de ajuda e intervenção. As oficinas funcionando em moldes cooperativistas, tornam-se espaços produtores de sociabilidade, resgatando aspectos da vida em sociedade, favorecendo a comunicação, a autonomia, o contato com a cultura e a aquisição de novos conhecimentos. Esta prática nos mostra uma realidade e nos faz pensar no trabalho como DIREITO e como um dos meios de participação e reinserção social. O projeto N.O.T. cresce e torna-se necessário repensá-lo sob a perspectiva de ampliação tendo em vista a experiência profissional prévia dos usuários e o seu desejo, o mercado de consumo, o produto a ser criado, as metas a serem atingidas, a infra-estrutura necessária, o custo total do projeto e os financiamentos possíveis. A partir da experiência do NOT e Associação Cornélia, nos deparamos com a formação de dois grupos com demandas distintas: o primeiro inclui usuários mais dependentes que apesar de necessitarem de orientações constantes possuem "capacidade" para escolher uma atividade profissional e conseguem organizar as tarefas, tornando-se a oficina um instrumento facilitador da retomada ao trabalho ainda que em ambiente protegido. O segundo grupo é caracterizado por usuários mais independentes que realizam a atividade com autonomia e que encontram dificuldades relacionadas ao retorno à profissão anteriormente desempenhada, sendo a oficina um meio favorável à sua reorganização e consequentemente a inserção no mercado de trabalho. Para que este projeto possa ser ampliado oferecendo atividades a estes dois grupos faz-se necessária a implementação de outros espaços na comunidade com uma oferta diversificada de frentes de trabalho. Esta proposta se concretiza num processo social, assim, identificamos a necessidade de parcerias com áreas afins e não só com a saúde. Para crescer é preciso que o poder público, a Saúde Pública, a Promoção Social e a Educação sejam aliados ao projeto e que áreas de formação econômica, marketing e publicidade sejam presença na reformulação e no redimensionamento da atenção à saúde mental. BIBLIOGRAFIA
Colaboradores:Ademir Souza, Albertina Rita Silva, Angélica Quartaroli, Antônio Cestare Ribeiro, Cleusa Ogera Cayres, Denise Fonseca de Moraes, Elizabeth M. M. Santana, Emerson Pereira de Godoy, Gean Carlos Sitta, Iracema Luciana Simão, Iraí Aparecida Betti, Josefa Oliveira Castigliere, Juliane Lubianchi Benevides, Júlio Vieira Dias, Luis Carlos Luciano, Mª Zulmira Xavier Simoni, Marlene Aparecida Alves, Manoel R. P. de Carvalho, Mauro Emilio de Castro , Paulo Reis, Sandra M. Casarini, Sevilha Cipriano Almeida, Sirlene Fátima Silva, Sidnei Cesar Nascimento, Solange Barbosa de Oliveira, Roseclei Aparecida Santos. 48,49
|
|||||
| Última Atualização ( 22 de junho de 2008 ) | |||||
| Menu Principal |
|---|
| Busca interna |
|---|



