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Núcleo De Oficinas De Trabalho Imprimir E-mail
Por Ana Carla P. Domitti, Mª Eugênia Carvalho Carnevalli, Valéria A. dos Santos Bianchini   
01 de janeiro de 2001
Índice de Artigos
Núcleo De Oficinas De Trabalho
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Breve Histórico

O Núcleo de Oficinas e Trabalho ( N.O.T.) foi criado em 1991 por um grupo de profissionais do Serviço de Saúde "Dr. Cândido Ferreira" (S.S.C.F).

Como parte do processo de transformação assistencial da instituição, iniciou-se um levantamento das atividades cotidianas realizadas pelos internos. Observou-se que muitos deles trabalhavam em setores da instituição, entre outros, lavanderia, rouparia, higienização, serviço de nutrição e agro-pecuária, auxiliando os funcionários e substituindo a mão de obra insuficiente na época. Pelos trabalhos realizados obtinham em troca um "prêmio" (assim chamado pelos pacientes) que consistia na distribuição de doces, cigarros e alguns objetos de higiene pessoal. A escolha dos produtos era feita por profissionais e a compra realizada com o fundo de caixa do setor de Terapia Ocupacional. Neste setor eram desenvolvidas atividades tais como: marcenaria, pintura e montagem de prendedores. Parte da produção era vendida.

Buscando redirecionar o trabalho foi criado o Núcleo de Oficinas e Trabalho - N.O.T. que propunha nova dinâmica, garantindo aos usuários a criação de espaços de formação profissional, instrumentalizando e preparando os mesmos para a reintegração na sociedade. As frentes de trabalho propostas inicialmente para atender vinte usuários que residiam na instituição foram as Oficinas Agrícola, de Artesanato (fios e pintura) e de Culinária, e estas foram definidas levando-se em consideração a história ocupacional prévia dos usuários, o espaço físico, os recursos materiais e humanos disponíveis, assim como as atividades desenvolvidas nos serviços da instituição. Pouco depois, passou a atender também usuários de outros serviços da rede municipal e de cidades vizinhas, pessoas com as seguintes características: adultas, com quadro psiquiátrico "compensado" e independentes em relação ao transporte.

Os resultados expressivos alcançados criaram novas expectativas na equipe, levando a mesma a pensar em formas de amparo legal, de maior interação com a comunidade e também desenvolver novas atividades e espaços de trabalho, através de convênios com empresas privadas e serviços públicos. Assim, em fevereiro de 1993, por iniciativa dos profissionais envolvidos no projeto, foi fundada a Associação Cornélia Maria Elizabeth Van Hylckama Vlieg, com o objetivo de ser instrumento de respaldo técnico, financeiro e jurídico, extendendo e apoiando as frentes de trabalho propostas, administrando recursos financeiros, organizacionais e políticos. A Associação Cornélia utiliza o espaço do S.S.C.F., em sistema de comodato, é reconhecida como orgão de Utilidade Pública Municipal e Estadual, filiada à Federação das Entidades Assistenciais de Campinas - F.E.A.C. e Conselho Municipal de Assistência Social. Pretende, em parceria com outras instituições e serviços, ampliar e diversificar as frentes existentes e ainda viabilizar a expansão de novas oficinas.

Objetivos

O trabalho tem sido uma das maneiras de operacionalizar alternativas de intervenção no processo de autonomia (ser governado por si próprio) e reabilitação dos usuários da saúde mental, buscando consolidar mudanças de qualidade da assistência psiquiátrica. Considera-se que através do trabalho a pessoa tem a possibilidade de ampliar seus conhecimentos, suas reflexões, transformar suas ações ou modificá-las diante das necessidades, passando a ser reconhecida como capaz de produzir e estabelecer relações sociais.

Neste sentido, o N.O.T. desempenha duas funções correlatas, de um lado, persegue a profissionalização e de outro, não se furta a atender as necessidades terapêuticas dos usuários. Faz a opção por abordar as duas vertentes, terapêutica e profissionalizante, entendendo que valorizar um aspecto em detrimento do outro traria perdas reais aos usuários.

Portanto, pretende-se com este projeto, resgatar o processo de aprendizado em espaço continente que propicie a expressão da subjetividade, estimule as relações interpessoais e que ofereça atividades diferenciadas com etapas de produção estabelecidas de maneira a respeitar a potencialidade de cada usuário. Para Pichón-Rivière, "a saúde mental consiste nesse processo, em que se realiza uma aprendizagem da realidade através do confronto, manejo e solucão integradora dos conflitos"( Riviére,1998, p.12). A importância das oficinas é observada através da satisfação do usuário, pois eles participam das atividades de organização do serviço, planejamento da produção e pesquisa de mercado, discutem a qualidade do produto bem como as regras de funcionamento e remuneração de seus membros e além disso, também avaliam o projeto, contribuindo assim para a melhoria de qualidade de vida de cada participante, objetivos que norteiam a proposta do N.O.T. e da Associação Cornélia.

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Última Atualização ( 22 de junho de 2008 )
 
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