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Núcleo de Atenção a Crise Imprimir E-mail
Por Nobusou Oki, Ana Paula Zago, Cássia Cristina Pacheco Ramos   
13 de março de 2003
Índice de Artigos
Núcleo de Atenção a Crise
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Marcos passou a ser acompanhado também em sua residência, lá permanecendo com seu acompanhante por alguns períodos. Sua mãe, nos primeiros encontros não sabia bem como agir, onde ficar, como "agradar" ou dar atenção, tamanha era sua ansiedade, e sempre na chegada, perguntava se Marcos iria ficar ou se teria que retornar ao Hospital. Notávamos que mostrava-se "aliviada" quando a resposta confirmava o retorno à Instituição. Marcos também não sabia, ao certo, qual "espaço" lhe era permitido ocupar nesses períodos, e que agora poderia lhe soar como complexo e imenso até (embora sua casa seja singela), considerando as condições iniciais de seu encaminhamento para a Instituição.

Os encontros foram acontecendo. Aos poucos, observávamos uma mudança de postura por parte dessa mãe, o que em certa medida, confessamos, nos deixava assustados. A verdade é que fomos identificando afeto nestas relações, o que parecia ser tão inexistente nos primeiros encontros. Eles passaram a se tocarem e as preocupações de um para com o outro ficavam mais intensas. Passaram a fazer contatos telefônicos com mais frequência, no intuito de saberem como estava o andamento do ProjetoTterapêutico de Marcos, e passaram também a solicitar que ele pudesse ficar em casa por períodos mais prolongados.

Aconteceram então, as licenças aos finais de semana. Nesta ocasião, já era possível que tivéssemos algum distanciamento destes familiares (até mesmo porque nos sentíamos mais seguros para isso naquele momento). Marcos saía da Unidade aos sábados pela manhã e retornava no domingo, ao final do período. Sua irmã passou a trazer relatos de atividades que desenvolviam com ele nestes períodos - Marcos ia às compras, à Igreja, saía pelo bairro. Os vizinhos surpreendiam-se ao vê-lo. Apenas uma observação à fazer: em meados desse processo, Marcos apresentou um quadro pneumônico, que pensávamos ser tuberculose. Foi necessário transferí-lo para um Hospital Geral, onde ficou em observação por alguns dias, até que retornou ao nosso Serviço, permanecendo em isolamento por aproximadamente 15 dias para coleta de novos exames, até a negativa do quadro clínico inicialmente suspeitado. Passou então a recuperar-se clinicamente, até porque emagrecera neste período.

Todo esse "trânsito" veio numa constante, a melhora de Marcos acontecia numa crescente e assim, começamos a pensar em programar sua alta. Marcos também manifestava o desejo de ficar em casa "de vez", passsou a sorrir mais, ainda que com algumas orientações melhorou quanto os cuidados de aparência pessoal e higiene corporal, já não tinha mais questões para com a medicação, cumprimentava as pessoas com as quais encontrava em seus trajetos, estava engajado ao Centro de Saúde para continuidade do tratamento ambulatorialmente.

O acompanhante terapêutico foi com Marcos à sua casa no dia de sua alta, a qual aconteceu em 18/08/99. Os olhos de Marcos brilhavam no momento da despedida, talvez pela ansiedade, pela chegada do que para ele seria " o grande dia "; talvez pelo receio de novamente ver cerceada sua liberdade, não sabemos bem ao certo. Poucas palavras se fizeram necessárias naquele momento.

Ainda assim, embora tenhamos progredido muito, deixamos contratado com estes familiares que não era ali que a nossa "missão" estava findada. Objetivávamos dar seguimento aos acompanhamentos de Marcos e de seus familiares, até que pudessem novamente encontrar um "porto seguro", que mantivesse como nós, algumas das preocupações e que à partir destas, ficasse "garantida" a melhoria das condições de vida desse sujeito.

Sabemos que hoje, finalmente, Marcos encontra-se em casa, junto àqueles familiares que se sentiam tão ameaçados , tão desesperançosos e ao mesmo tempo tão sozinhos. Come à mesa, usa do mesmo banheiro, senta para assistir tv, ri, chora, questiona... parece viver!

Colaboradores:

Adriane Ferreira de Barros, Ana Carla S. Pompeu de Camargo, Anatole Carvalho Inhota, Cássia Aparecida Firmino, Célia Sanae Sacamoto Guimarães, Cláudio Hideyo Assato, Dalva Aparecida Araújo, Delcídio Marcelino dos Santos, Dirceu Custódio Ventura, Flávia Fernandes do Nascimento, Frederick Romano, Geórgia Soares De Sordi, Gildete Ferreira da Costa, Jerson Aparecido de Souza Nogueira, José Alberto Esteves, José Cândido de Souza, José Roberto de Carvalho, Juarez Camilo Rosa, Lázaro Cesar de Oliveira, Mara Lúcia de Souza, Márcio Domiciano de Souza, Marcos Manoel da Silva Neto, Maria do Socorro Silva Vitor, Marilu Fernanda Leardini, Mário Aparecido Alves da Cunha, Mariza de Fátima Ferreira, Marlen Adolfo da Costa, Marli Antônia Ferreira Machado, Regina Fátima Ribeiro Machado, Roberto Alves Burza, Ruth Helena Bertazoli Almeida, Sandra Aparecida Gomes Elpídio, Sérgio Donizete Henrique, Silvana Pereira, Tiago Túlio, Vanessa de Almeida Silva, Vânia Antônia Pinto, Vilena Firmino N. Souza.

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Última Atualização ( 20 de junho de 2008 )
 
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