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A diferença de 4.114,80 entre o custo de um ex-crônico na moradia
extra-hospitalar e o custo de um crônico mantido no hospital
psiquiátrico permitiria o atendimento de, no mínimo, mais 8,9
pacientes/ano na vaga liberada pelo primeiro, mantido o mesmo
patamar de despesa. Ou seja, o mesmo recurso que anteriormente
atendia a um único paciente durante o ano, torna-se, portanto,
capaz de atender a até 10 pacientes no mesmo período. Se
considerarmos períodos de tempo mais longos como base de cálculo
do giro dos pacientes, a discrepância torna-se ainda mais
gritante. Ao final de 2 anos, teremos consumido 16.617,60 reais
com um mesmo paciente crônico dentro do hospital, ao invés de
termos custeado a sua manutenção em uma moradia pelo mesmo
período (8.388,00 reais) e atendido mais 17,8 pacientes na vaga
por ele aberta no hospital. Ao final de 3 anos, um único crônico
no hospital terá custado 24.926,40 reais, enquanto o mesmo
recurso teria mantido este crônico numa moradia extra-hospitalar
por 12.582,00 reais e atendido mais 26,7 pacientes, e assim por
diante.
Enfim, se o projeto de moradias extra-hospitalares, por um lado,
representa para os pacientes cronificados de instituições
psiquiátricas uma possibilidade inequívoca de reinserção na
comunidade e de resgate de um grau considerável de autonomia, uma
possibilidade, enfim, de reconquista de uma vida mais plena e
cidadã, permite, por outro, uma considerável redução dos custos
envolvidos na manutenção destes mesmos pacientes, o que, para o
sistema público de saúde, significa obter uma maior capacidade de
atendimento para o mesmo dispêndio de recursos. É um projeto,
portanto, que associa, paradoxalmente, uma considerável melhora
da qualidade de vida destes pacientes, sob todos os aspectos, e
uma redução igualmente considerável dos custos aí envolvidos.
Como dissemos acima, não é necessariamente o projeto mais caro
aquele que assegura a melhor condição de tratamento...
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