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Caps Estação Imprimir E-mail
Por SSCF   
19 de março de 2010

Descrição

No mês de abril de 2000, dentro do processo de desospitalização e de apoio às moradias mais distantes do serviço, foi inaugurado o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Estação. Com este novo equipamento foi possível abrir 70 vagas/dia que permitiram atender até um total estimado de 180 pacientes/mês. Este CAPS ficou então com a incumbência de acompanhar os serviços residenciais terapêuticos daquela região, bem como atender as demandas na área de saúde mental da população das regiões próximas.

Em 2001, o Caps Estação se consolidou como referência para o atendimento dos pacientes da região norte de Campinas, acompanhando os serviços residenciais terapêuticos mais próximos, inaugurando o funcionamento 24 horas, com a incorporação de uma segunda casa ao serviço, para abrigar 8 leitos de apoio para a atenção à crise dos pacientes sob seus cuidados. O funcionamento 24 horas contribuiu para a efetiva descentralização e territorialização do cuidado na medida em que o CAPS passou a ser o lugar preferencial para o tratamento de pessoas com problemas psiquiátricos graves, inclusive nos momentos de crise, contribuindo para a transformação do modelo centrado no hospital psiquiátrico.

Nos anos seguintes foram mantidos e qualificados os serviços assistenciais já prestados com um crescente aumento no número de usuários atendidos:

  • 147 em fevereiro de 2003;
  • 231 emfevereiro de 2004;
  • 263 em fevereiro de 2005;
  • 275 em dezembro de 2006;
  • 299 em dezembro de 2007.

Incluídos nestes cálculos os moradores dos serviços residenciais terapêuticos, que posteriormente passaram a ser acompanhados pelo Núcleo de Serviço Residencial Terapêutico.

Visando qualificar o atendimento devido ao número crescente de usuários e atendendo à política ministerial de territorialização, em novembro de 2007 a sede do CAPS foi transferida para uma casa maior, ampla e arejada, com um custo menor do que a soma das duas que alugava anteriormente e principalmente, localizada no distrito de saúde Norte, território para o qual é referência.

Em 2006 e 2007 foi encaminhado ao Ministério da Saúde projeto visando aquisição de recursos para construção de sede própria em terreno público destinado a esse fim, tal solicitação não foi atendida.

Em 2008, seguindo o padrão dos anos anteriores o CAPS aumentou o número de pacientes em tratamento, passando a 310 pacientes/mês e em 2009 o número de pacientes atendidos chegou a 340, ultrapassando sua capacidade máxima, já que a portaria SAS no. 189, de 20 de março de 2002, prevê para o CAPS III uma capacidade de atendimento de 300 usuários, colocando, portanto, em discussão a necessidade de criação de mais um CAPS na região e/ou ampliação da rede de cuidados em Saúde Mental, incluindo-se aí os Centros de Saúde do território, o necessário incremento aos Centros de Convivência existentes e a criação de oficinas de geração de renda.

Importante ressaltar que não houve aumento no tamanho da equipe desde o início do funcionamento 24 horas em outubro de 2001.

A média de freqüência diária em 2009 foi de 85 pacientes/dia ao longo da semana e de 30 pacientes/dia nos finais de semana e feriados.

Algumas metas estabelecidas em 2008 foram atingidas em 2009:

  • Ampliação da discussão, no distrito de saúde, referente à importância de incremento nos Centro de Convivência dos bairros Jardim Aurélia, Boa Vista e Anchieta;
  • Ampliação e qualificação da parceria com as equipes de saúde da região principalmente através do matriciamento em saúde mental;
  • Ampliação da participação nos fóruns gestores do município, inclusive com a participação de conselheiros em alguns destes fóruns;
  • Ampliação da política de residência médica e campo de estágio multidisciplinar;
  • Manutenção de reuniões mensais regulares do Conselho Local de Saúde;
  • Diminuição no número de internações;
Modelo de Gestão: Considerando a necessidade de atender de maneira qualificada as principais frentes de trabalho do CAPS, a saber: a) atenção psicossocial aos pacientes inseridos no CAPS; b) atenção às situações de crise; c) atenção às novas demandas; d) o cuidado com o paciente em observação no Leito-Noite; e) a integração com os demais equipamentos de saúde, cultura, esporte e lazer, da região norte e da cidade de Campinas - o trabalho está organizado da seguinte maneira:
  • Equipe multidisciplinar dividida em três "equipes de referência" sendo cada uma responsável pela condução dos projetos terapêuticos dos moradores de uma determinada micro-região dentro do distrito de saúde.
  • Grupos abertos, um grupo por período, aberto a qualquer usuário do CAPS: grupo de passeio (tem como finalidade conhecer espaços de cultura e lazer na cidade), grupo de futebol (promove atividade física e a integração com a comunidade e outros serviços de saúde através de torneios e campeonatos, acontece na praça de esportes do Jardim Eulina, bairro onde está localizado o CAPS), grupo de culinária (promove a troca de experiências, organização do espaço, resgate e aprimoramento da habilidade de cozinhar e cuidar do espaço físico), salão de beleza (visa o resgate da auto-estima através do auto-cuidado), grupo de música (espaço lúdico, de integração e convivência e desenvolvimento da habilidade de cantar e expressar-se através do canto; também promove a integração através de apresentações públicas), grupo de cinema (visando à convivência, atividade lúdica e o cinema como forma de expressão possibilitando a discussão dos temas abordados nos filmes, acontece no Centro de Convivência do Jardim Aurélia), grupo de caminhada (visando à atividade física, convivência e integração no bairro), grupo de atividades (pintura, costura, produção de artesanato com fins terapêuticos, para uso pessoal e geração de renda), atividade de lazer na piscina (visando lazer, integração e atividade física), grupo de saúde (visando o auto-cuidado e informações sobre hábitos saudáveis), grupo de recepção (ocorre às segundas-feiras e visa receber os pacientes após o final de semana para colher informações sobre como estão e planejar a semana), grupo de jardinagem (conduzido por uma terapeuta ocupacional, acontece no Centro de Convivência do Jardim Aurélia, visando à socialização, aprendizagem da prática do cultivo e possivelmente geração de renda).
  • Grupos fechados, possuem um coordenador responsável que trabalha dentro de um referencial mais definido, alguns têm um número de vagas limitado. Exemplos: grupo de TO e Psicoterapia, grupo de Encontro (cada equipe de referência reúne-se semanalmente com seus usuários. Este grupo tem como eixo deixar clara a responsabilização mais direta pela condução dos projetos terapêuticos bem como atualizá-los mediante a escuta e os contatos regulares com os usuários), Oficina Estação Criar (visa promover habilidades para artes plásticas, descobrir talentos, promover a convivência e integração e gerar renda).
  • Atendimentos individuais, atendimento médico, psicoterapia, TO, atendimento de referência.
  • Família, atendimento individual e grupal para familiares de pacientes inseridos no serviço, alguns encontros acontecem aos sábados e à noite para facilitar o acesso dos familiares que trabalham durante a semana.
  • Alfabetização de adultos, uma parceria com a Fundação para a Educação Comunitária. A sala de aula está localizada no Centro de Convivência do Jardim Aurélia.
  • Acolhimento das demandas do dia (ADD), três profissionais por período, dedicados a promover a convivência, acompanhar pacientes que estão no leito, atender novas demandas e resolver situações críticas.
  • Controle Social, se dá através de assembléias semanais e reuniões mensais do Conselho Local.
  • Reuniões semanais, da equipe geral e equipes de referência para discussão de casos, supervisão clínica e institucional e planejamento das ações.

O gerente e a equipe participam dos fóruns de gestão da instituição e do município, tais como: colegiado de gestão do SSCF, colegiado distrital, reunião com equipes de saúde, Educação Permanente para os gestores, matriciamento para equipes de saúde mental e equipes de PSF do território, reuniões dos Conselhos Local, Distrital e Municipal.

Todo este dispositivo técnico deve fazer sentido dentro do projeto terapêutico de cada usuário e deve ocorrer sem significar alienação ou prejuízo da escuta de cada experiência-sofrimento.

Objetivo

  1. Acompanhamento da população da sua área territorial e atenção à crise.
  2. Atenção diária/CAPS: cuidado clínico e de reabilitação para usuários-dia do serviço, bem como assistência e suporte aos familiares; busca-se construir um sentido de co-responsabilização junto aos usuários em sua presença cotidiana no CAPS.
  3. Atenção à crise: pacientes novos ou usuários regulares do serviço que necessitam do dispositivo de leito-noite, dentre outros. Entende-se que a resposta às situações emergenciais ou de crise são, em geral, marcadas pelo seu caráter imediato e exigem flexibilização e disponibilidade diferenciadas do profissional ou cuidador; constituem oportunidade para estreitamento de vínculo e avanço no projeto terapêutico; exigem instrumental clínico e técnico diferenciado;
  4. Recepção de casos novos: houve aumento do número de triagens devido à reorientação do fluxo de usuários da Saúde Mental (prontos-socorros, centros-de-saúde, PSF, apoio matricial, SAMU) em função do novo modelo. Os novos usuários colocam para a equipe a questão da vinculação a ser construída e da capacidade de responsabilização e resolutividade do serviço.
  5. Redução na ocupação dos leitos de retaguarda noturna, principalmente em outras unidades de saúde.
  6. Redução do número de internações.
  7. Estágios e Programa de Residência Médica: a preocupação com a formação sempre foi uma constante para a equipe que se dedica a acompanhar os estagiários em suas atividades, em supervisão e reuniões com os docentes das universidades; neste sentido no ano de 2008 formou-se no CAPS Estação uma comissão multidisciplinar para questões ligadas ao ensino. Em 2009 tivemos duas estagiárias de psicologia (PUCCAMP), uma aprimoranda em planejamento e administração (UNICAMP), dois residentes em psiquiatria (SSCF), além de estágios breves de observação de psicologia (PUCCAMP), curso técnico de enfermagem e psicologia organizacional.

Público Alvo

Psicóticos e neuróticos graves moradores da região norte do município, cuja população é de 180.378 mil habitantes segundo dados do IBGE, sendo 70% SUS-dependente.

Período de realização

Atendimento diário, 24 horas, sendo oferecido à noite e nos finais de semana preferencialmente para pacientes em regime de acompanhamento intensivo. Há maior concentração de profissionais das 8:00 às 18:00 horas e no período noturno contamos com três auxiliares de enfermagem e um enfermeiro. Nos plantões diurnos nos finais de semana e feriados há um profissional de nível universitário em um período de 6 horas e equipe de enfermagem presente no restante do tempo.

Resultados obtidos

Os dados abaixo se referem ao período de janeiro a dezembro de 2009. Temos observado uma diminuição na demanda de internação integral com conseqüente melhora na qualidade de vida devido a não exclusão do convívio social, sendo que quando isto se faz necessário ocorre por um curto período de tempo. O processo de reabilitação psicossocial apresenta alguns indicadores na melhoria e /ou manutenção da qualidade de vida, tais como: manutenção dos vínculos familiares e sociais, aquisição de benefícios, inserção no mercado de trabalho formal e informal.

Nº total de beneficiários atendidos

o Em 2009 o CAPS passou a atender 340 pacientes/mês, com uma média de freqüência de 85 pacientes/dia ao longo da semana e 30 pacientes/dia nos finais de semana.

  • Diagnóstico: predominantemente F.20
  • Divisão por procedimentos:
  • 79 intensivos (23%) - a portaria ministerial prevê 20%
  • 167 semi-intensivos (49%) - a portaria ministerial prevê 30%
  • 94 não intensivos (28%) - a portaria ministerial prevê 50%.

Nota-se um aumento de 10% no procedimento não intensivo e redução de 10% no procedimento intensivo, em relação ao ano anterior. Entretanto, devido à complexidade dos casos atendidos, não tem sido possível reduzir a intensidade do atendimento de parte considerável da população de usuários, mantendo uma diferença significativa na intensidade do atendimento em relação ao indicado pela portaria ministerial, desde o início do projeto.

Média de procedimentos:

  • intensivos (programado 1500) - realizados 822 (54%)
  • semi-intensivos (programado 1080) - realizados 853 (79%)
  • não intensivos (programado 450) - realizados 145 (33%)
  • Casos novos: 71 novos casos inseridos (houve um aumento de 38% no número de casos novos em relação ao ano anterior).
  • Alta: 34 usuários receberam alta para serviços de saúde de menor complexidade, para outros CAPS situados em sua região de domicílio ou outros municípios em função de mudança ou localização de familiares (houve um aumento de 24% no número de altas em relação ao ano anterior). Além das altas por transferência, em 2009 tivemos 4 óbitos e 19 altas por abandono.
  • Leito-Noite: uma média de 24 pacientes/mês utilizou o leito do CAPS, apresentando uma média de ocupação de 9 leitos/noite e permanência média no leito de 8 dias/mês.
  • Internação hospitalar no SSCF: Total: 26 usuários, sendo:
  • 18 no primeiro semestre de 2009
  • 08 no segundo semestre de 2009
  • Verifica-se uma redução de 30% no número de internações em relação ao ano anterior.

O CAPS mantém com os setores de internação do SSCF, uma estreita parceria no sentido de compartilhar o projeto terapêutico singularizado, discutir conjuntamente as licenças e o momento de alta bem como projetos de reinserção social, constituindo assim uma retaguarda efetiva para os momentos de crise onde os recursos do CAPS são insuficientes, sem, no entanto romper o vínculo do usuário com a equipe responsável por seu cuidado mais permanente. Esta parceria não ocorre de maneira tão estreita com as enfermarias psiquiátricas dos hospitais universitários da Pucc e Unicamp. O SSCF também oferece a possibilidade de internação em leito 72 hs.

Outras Informações

Composição da Equipe

  • Auxiliar de Higiene: 06;
  • Auxiliar Administrativo: 02;
  • Farmacêutica: 01;
  • Auxiliar de Farmácia: 02;
  • Enfermeiro: 04;
  • Médico Psiquiatra: 03;
  • Psicólogo: 06, sendo uma a gerente da unidade;
  • Técnico/Auxiliar de Enfermagem: 21;
  • Terapeuta Ocupacional: 02;
  • monitor: 01;
  • Vigilante: 02; Zelador: 01; motorista: 01;
  • Estagiário de psicologia: 02;
  • Aprimorando: 01;
  • Residente em Psiquiatria: 02.

Plano de Metas para 2010

  • Em 2010 está prevista a manutenção e qualificação dos serviços, e também:
  • Buscar recursos junto a PMC e Ministério da Saúde para a construção de sede própria;
  • Implementar programa de informatização dos dados epidemiológicos.
  • Participação nas Conferências Municipal, Estadual e Nacional de Saúde Mental.
  • Eleição para renovação do Conselho Local.
  • Buscar recursos, juntamente com o distrito de saúde, para incremento de Recursos Humanos dos Centros de Convivência do Jardim Aurélia, Boa Vista e Padre Anchieta.
  • Organizar evento em comemoração aos 10 anos do CAPS Estação.
Última Atualização ( 22 de março de 2010 )
 
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